Porto, uma cidade inclusiva

15 Out

Testemunho de Hugo Vilela

Foto de Hugo Vilela sentado na sua cadeira de rodas eléctrica.

Texto escrito por Hugo Vilela & 
editado por Lisboa (In)Acessivel


A minha visão sobre as acessibilidades no Porto foi modificando de acordo com três fases distintas de mobilidade e autonomia na minha vida, que irei nomear e descrever em seguida:

1) Quando era totalmente autónomo na locomoção. 

2) Quando me deslocava com a ajuda de uma canadiana.

3) Quando senti a necessidade de me deslocar definitivamente numa cadeira de rodas eléctrica. 

1) Primeira Fase

Nesta fase a minha mobilidade e autonomia eram totais. Assim, vi e senti verdadeiramente o encanto e a mística do Porto nas diferentes actividades a que me fui dedicando, como a ida às compras com a minha mãe na Rua de Santa Catarina, ou,mais tarde, quando saia à noite e frequentava os bares da Ribeira com os meus amigos, ou participava nos jantares, serenatas da minha tuna e nas suas actuações no Coliseu do Porto; ou quando ia aos jogos do FCP ou passeava na Foz e no centro da cidade; e também quando tinha de tratar dos meus assuntos pessoais. 

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Nesta altura, o Porto era uma cidade totalmente acessível e inclusiva para mim e quase tudo me era garantido de forma autónoma. Bastava eu decidir o que/onde pretendia, e não havia hesitações.

Passado algum tempo, e ainda nesta fase, comecei a sentir algumas dificuldades ao nível da minha mobilidade, e determinadas deslocações já se constituíam como um verdadeiro desafio para mim. Nomeadamente, se tivesse que subir passeios sem rampas (como na Ribeira do Porto dessa altura); subir ruas muito inclinadas (como por exemplo a Rua 31 de Janeiro); entrar num edifício com escadas (como a Torre dos Clérigos); ou, deslocar-me em pisos com paralelos (como por exemplo quando ia às atuações nas Caves do vinho do Porto, em Gaia)… mas…. ia na mesma, porque com mais ou menos dificuldade conseguia superar os obstáculos. Nos locais onde existiam escadas, eu já pedia por um elevador e, antes de me deslocar a determinado sítio,  gostava de saber antecipadamente se tinha ou não elevador. Se o espaço tivesse elevador eu ficava tranquilo, porque o acesso me era garantido sem grandes preocupações.

2) Segunda Fase

Quando comecei a deslocar-me com a ajuda de uma canadiana, tentei encontrar na cidade o mesmo padrão de acessibilidade e inclusão da fase anterior. Mas senti algumas diferenças….A cidade era a mesma… mas os meus desafios de mobilidade e acessibilidade é que já eram maiores e a perspectiva que passei a ter da cidade do Porto, como uma cidade inclusiva, mudou ligeiramente.

Nesta fase comecei a hesitar antes de decidir ir a algum lado. Apesar de ainda conduzir e já ter o dístico de estacionamento para pessoas com mobilidade reduzida, só me decidia a ir se tivesse a certeza que os acessos me eram garantidos. Por exemplo, só ia aos jantares com os meus amigos, se tivesse a certeza que não ia percorrer grandes distâncias, se houvesse estacionamento, se a entrada não tivesse degraus e, no caso de ser necessário subir escadas para aceder à sala de refeições, haver um elevador, ou então se os meus amigos se disponibilizassem a ajudar-me a subir as escadas. Esta última hipótese não era para mim a mais favorável uma vez que sempre quis realizar tudo autonomamente, mantendo o mesmo padrão de cidade inclusiva da primeira fase. Também ia apenas à zona de restauração da Ribeira,  se encontrasse um estacionamento no recinto junto ao restaurante, no caso de ir com alguém, me deixassem no local.

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Assim, não tenho muitas histórias para contar desta fase, uma vez que moro em Gaia e devido à sua proximidade com o Porto, preferia ir com os meus amigos sistematicamente aos mesmos locais, ou seja, aos cafés em Lavadores, onde encontrávamos estacionamento perto, evitando assim maiores preocupações com as acessibilidades, não usufruindo em pleno a que o Porto tem para oferecer.

3) Terceira Fase

A terceira e última fase corresponde à actualidade, em que me desloco em cadeira de rodas elétrica. Desde que comecei a andar com esta cadeira, a minha mobilidade melhorou consideravelmente. Consigo percorrer grandes distâncias nas ruas de Gaia e do Porto sem esforço. Os transportes públicos (metro, comboio e autocarros) conseguem alavancar o meu raio de deslocações com a cadeira, dentro e fora da cidade do Porto. No entanto, fui-me deparando com outros desafios de acessibilidade encontrados que se resumem basicamente…à falta de escolha e ao facto de quase todos os dias precisar de pensar antes de decidir.

No entanto, o Porto tem evoluído bastante nos últimos anos no que diz respeito às acessibilidades na via pública, principalmente no centro da cidade. Assim, a minha experiência de mobilidade no centro da cidade tem sido bastante positiva, e se me pedissem para avaliar o grau de acessibilidade na via pública, diria que esta é acessível, apesar das dificuldades sentidas em algumas situações. Já os utilizadores de cadeiras de rodas manuais podem ter mais razões de queixa, devido à inclinação acentuada de algumas ruas e dos lancis dos passeios junto às passadeiras, bem como de alguns obstáculos encontrados durante o percurso. Quanto aos transportes, a minha opinião também favorável. O Metro do Porto é excelente. Relativamente aos autocarros da STCP também tenho uma opinião favorável, apesar de em todas as suas linhas possuírem rampas, e circunstancial avarias das existentes. Quanto aos comboios urbanos da CP, também não tenho razões de queixa, excepto em relação à altura da plataforma em determinadas estações.

Em relação ao acesso aos edifícios, todos os dias tenho de pensar e planear com antecedência os locais onde posso ir. Por exemplo, em que restaurante poderei ir jantar com os meus amigos no qual apenas vou se tiver entrada acessível. No caso de ser num prédio com vários andares o elevador é importante ou se quiser ir ao cinema, o centro comercial tem de ter uma casa de banho acessível com as devidas condições. Sei que existem edifícios acessíveis para mim, esses são para mim uma referência e por isso sou cliente assíduo desses estabelecimentos.

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Conclusão

A cidade do Porto e as experiências que tem para oferece são inesquecíveis, pois, tal como o seu vinho, com o passar do tempo “fica cada vez melhor”! O seu grau de inclusão é que vai mudando em função do número de pessoas que sentem necessidade procurar locais acessíveis

É assim importante reconhecer e distinguir as práticas portuenses que melhor promovem a igualdade de oportunidades de escolha a todos os cidadãos e turistas.

Avarias Crónicas

8 Out

Quão frequentemente utilizamos a expressão “É só uma dorzinha nas costas” para definir a angustiosa e persistente dor que nos magoa e que tentamos ocultar como algo natural e trivial? É verdade que sentir dor é inevitável, mas ao contrário do que se deva pensar esta pode e deve ser tratada.

Podemos comparar a forma como são tratadas este tipo de dores, àquela que é utilizada para lidar com os diferentes tipos de avarias, demasiado persistentes, que grassam nas ajudas técnicas essenciais à deslocação autónoma e livre dos cidadãos com mobilidade reduzida em Lisboa (e provavelmente noutras localidades do país).

Designadamente, como podemos compreender que os elevadores, as plataformas elevatórias e as rampas de acesso a espaços, edifícios e transportes públicos estejam constante e invariavelmente avariados, por tempo indeterminado, muitas vezes sem qualquer explicação [capaz], transtornando e MUITO a vida das pessoas que mais deles precisam e deles dependem…?

De facto, quando estas avarias estão directamente relacionadas com mecanismos que afectam a vida diária das pessoas, nomeadamente daquelas cuja condição física as impede de aceder de outra forma alternativa e autónoma àquelas espaços e serviços sem o auxílio destas ajudas técnicas… enfrentamos um problema gravíssimo e inaceitável de funcionamento dos serviços públicos e de desrespeito pelos direitos humanos fundamentais…

Quantos são os relatos ouvidos em relação aos inúmeros incómodos e atrasos ocasionados pelas avarias repetidas das rampas automáticas dos autocarros da Carris…chegando a passar três autocarros com as rampas avariada e, quando chega o quarto, com a rampa a funcionar, o motorista proíbe que entrem duas pessoas em cadeira de rodas no autocarro porque a lei apenas permite que uma pessoa em cadeira circule em cada autocarro por questões de segurança…?

E as saídas tantas vezes frustradas como resultado de uma avaria nas plataformas elevatórios ou nos elevadores de alguns espaços de atendimento ao público ou em estabelecimentos comerciais…? … Para não falar das avarias constantes dos elevadores do metro (tendo em consideração que há ainda poucas estações que os têm!) que obrigam as pessoas com mobilidade reduzida a percorrer maiores distâncias para encontrar uma estação que tenha elevador, e, a funcionar…?

E as intermináveis desculpas de avarias nas casas de banho adaptadas…que na verdade se encontram encerradas “há anos” para arrumação de material ou afins…? …E… poderíamos acrescentar uma lista infindável de interrogações cuja resposta não nos satisfaz…porque não nos convencem, não resolvem o problema em questão, não dão alternativas a situações que se repetem continuamente, dificultando o quotidiano de quem já devido à sua condição física está habitualmente mais condicionado.

Na verdade, muitas são as desculpas… algumas as razões … mas nenhuma se faz razão … se não houver uma pronta e eficaz adopção de medidas sérias e eficazes de resolução destas avarias crónicas.

NOTA: De acordo com a legislação portuguesa os autocarros que NÃO têm as rampas automáticas a funcionar e que apresentam o símbolo de acessibilidade universal, NÃO podem circular e atender ao público. Na situação da proibição da circulação de duas pessoas em cadeiras de rodas num mesmo autocarro, o dever de cumprimento desta normativa é incompatível com o incumprimento da norma que proíbe a circulação de autocarros com rampas avariadas…

Olhar de Norberto Sousa sobre as acessibilidades em Lisboa

1 Out

Foto perfil de Norberto Sousa, a sorrir.

Norberto Sousa aceitou o nosso desafio de responder de forma pertinente a questões relativas às condições de acessibilidade em Lisboa.

Perfil de Norberto Sousa (NS)

Norberto Sousa é licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, inglês-alemão, formador e consultor de acessibilidade web e digital, a instituições como o Museu da Batalha e o Banco de Portugal. Tem um vasto Know-how nas áreas da informática e das tecnologias de apoio, diretrizes de acessibilidade WEB, plataformas de aprendizagem e ambientes virtuais, jogos e software acessível para pessoas com deficiência visual. Colabora no portal Lerparaver, no projeto Dosvox, e, é um dos fundadores do ComAcesso**. É membro do centro de investigação iACT do IPLeiria e colabora com o mesmo na análise de plataformas e conteúdos para o e-Learning; é um dos autores do artigo “Accessible e-learning – practices and research in the Polytechnic Institute of Leiria” apresentado no W3C, e, do “Guia de Produção de Materiais Digitais Acessíveis”, entre outros artigos científicos. Colaborou em vários projetos nacionais e europeus, nomeadamente o EU4ALL. Foi contemplado com o primeiro prémio internacional Onkyo Braille Essay Contest promovido pela EBU, entre outros prémios literários.

De uma forma geral como considera que são as condições de acessibilidade oferecidas pela capital?

NS – Muito más. Excluindo alguns locais, onde são respeitadas algumas normas de acessibilidade, continuamos a encontrar passeios totalmente ocupados por automóveis e por objetos que dificultam a mobilidade de todos; continuamos a construir edifícios/espaços públicos, comerciais e privados sem pensarmos na acessibilidade. Resumindo, continua a haver falta de organização urbana, de fiscalização, de civismo e de sensibilidade.

Quer fazer algum paralelismo em relação ao tipo de condições encontradas na Madeira, sua localidade de origem?

NS – Nas zonas urbanas da Madeira notei uma grande melhoria na acessibilidade dos espaços públicos. Talvez por haver maior proximidade dos autarcas da população e consequentemente uma maior abertura para ouvir as sugestões das pessoas têm sido eliminados alguns pontos com problemas de acessibilidade.

Como residente na Grande Lisboa, quais são as dificuldades pessoais que encontra no seu dia-a-dia, como consequência, directa ou indirecta, das barreiras existentes relativamente à acessibilidade (espaços/serviços/atitudes)? Pode descrever estas dificuldades e barreiras?

NS – As maiores dificuldades são pilaretes colocados indevidamente no meio dos passeios e de passadeiras; automóveis, bocas de incêndio e sinalização, obras não sinalizadas que dificultam ou impedem a passagem nos passeios e por vezes dão mesmo origem a pequenos acidentes; semáforos sem sinal sonoro e muitos outros objetos, como caixotes do lixo, que são colocados em qualquer sítio. Há ainda os buracos provocados pelo estacionamento indevido dos automóveis, caixas de eletricidade, esplanadas sem delimitação e outros objetos com publicidade de espaços comerciais. Sair à rua em Lisboa é uma verdadeira aventura, uma gincana com barreiras novas a cada minuto!

Estas dificuldades condicionam a sua vida diária? Como? Deixa de ir a determinado local, recorrer certos serviços, realizar tarefas ou exercer os seus deveres e direitos de cidadania porque por causa de entraves à acessibilidade (por exemplo, participar nos actos eleitorais)?

NS – Sendo cego, as barreiras que apontei não me impedem de fazer as minhas tarefas diárias, mas limitam a sua realização em plena normalidade e provocam grande instabilidade emocional pois é sempre uma incógnita quando vou magoar-me, sujar-me ou perder-me no trajeto porque tive de fazer algum desvio por causa de uma barreira nova.

Na sua opinião, quais seriam as prioridades a adoptar na cidade de Lisboa ao nível das acessibilidades, nomeadamente em relação às condições oferecidas aos cidadãos cegos ou com baixa visão?

NS – Fiscalizar para eliminar espaços comerciais que eram estacionamento de edifícios e que tiveram como consequência a ocupação dos passeios por automóveis; reorganizar os passeios criando-se espaço exclusivo para passeio e, onde isso fosse possível, espaço para estacionamento; legislar para que a calçada portuguesa fosse utilizada apenas em zonas históricas ou no máximo em redor de edifícios públicos importantes, dado que este tipo de pavimento provoca grande reflexo de luz, provoca acidentes por ser muito escorregadio e por ser muito instável, quer devido à sua irregularidade, quer devido aos buracos que surgem com frequência. Reorganizar o mobiliário urbano e criar condutas de recolha de lixo com pontos fixos para que os passeios sejam sinónimo de verdadeira mobilidade livre e segura.

Assume algum papel interventivo na melhora das condições de acessibilidade em geral, e em particular na cidade de Lisboa?Se sim, qual?

NS – Na área da acessibilidade física, como cidadão ativo, tento informar as autarquias ou outras entidades competentes quando encontro alguma barreira de acessibilidade ou barreiras perigosas. Infelizmente a falta de sensibilidade e de abertura de alguns responsáveis e falta de fiscalização das entidades competentes faz com que os problemas de acessibilidade não sejam resolvidos por mais simples que sejam. E, assim, a inacessibilidade e a falta de civismo em Portugal continua.Na área da acessibilidade digital, sou consultor de acessibilidade Web e digital e tento sensibilizar e incentivar as instituições, empresas e particulares a desenvolverem Sites e produtos digitais acessíveis ao maior número de pessoas.

**www.comacesso.pt

RIBEIRA DOS “CALHAUS”

24 Set

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“Tanto a calçada como o piso da Ribeira das Naus são pisos muito difíceis, que provocam um grande incómodo no corpo, dores físicas e um grande cansaço”.

                                                                                                                                                                                                       (Carina Brandão)

O Movimento dos (d)Eficientes Indignados organizou no dia 13 de Setembro uma ação de protesto contra a falta de um piso acessível para pessoas com mobilidade reduzida, nomeadamente as que estão em cadeiras de rodas, na recém requalificada Ribeira das Naus, em Lisboa.

Os organizadores aguardavam as participações do Presidente da CML, do autor do projeto da Ribeira das Naus, e, de representantes da Ordem dos Arquitetos e da Associação dos Arquitetos Paisagistas.  No entanto,  apenas estiveram presentes a partir das 15h15 algumas pessoas com mobilidade reduzida, exibindo uma faixa com o slogan da ação: “VIVER NÃO É SÓ RESPIRAR”.

As pessoas que passeavam pela Ribeira foram convidadas a experimentar deslocar-se por aquele espaço sentadas numa cadeira de rodas, verificando por si mesmas as dificuldades em circular sob aquele piso, sendo simultaneamente informadas sobre os reais problemas sentidos por quem se desloca em cadeira de rodas e o que representa a falta de acessibilidades para as pessoas com dificuldades de locomoção.

Sabemos que esta zona foi durante anos um enorme estaleiro de obras e  que recentemente foi  transformada numa área vocacionada para o lazer, dando a primazia às pessoas e ao sei bem estar.

Infelizmente o renovado espaço não é acessível a pessoas com mobilidade reduzida, porque apresenta um piso extremamente irregular e desníveis injustificados, que obrigam estas pessoas a fazerem um caminho maior para percorrer as mesmas distâncias que o “comum mortal”. 

Esta obra confirma assim que se continuam a perpetuar os erros do passado e uma cultura indiferente e/ou permissiva à legislação existente, e que desconsidera as necessidades de acessibilidade.

Para o responsável dos (d)Eficientes Indignados, as autarquias de todo o país preocupam-se em construir ciclovias para os ciclistas, “mas esquecem-se que há pessoas que andam de cadeiras de rodas, que não podem andar num piso destes”, criticou.*

“A vibração que nós sentimos com a cadeira de rodas é uma vibração que nos incomoda de tal maneira […], que não temos prazer em andar aqui [Ribeira das Naus], isto foi construído para o prazer, para as pessoas poderem disfrutar das belezas da cidade”, lamentou.*

A participar no protesto estava também Manuela Ralha, que sofreu um acidente de viação há dez anos e ficou paraplégica. Indignada, referiu que este tipo de pisos “continuam a excluir todas as pessoas com mobilidade reduzida”, acrescentando que “afeta não só os cidadãos de cadeiras de rodas como pessoas de bengala, andarilhos, com carrinhos de bebés ou de patins”.*

Será que com esta acção o Movimento (d)Eficientes Indignados  conseguiu atingir o seu objectivo último de fazer “envergonhar” os responsáveis pela criação e aprovação deste projecto negligente, alertando para a sua redobrada consciencialização das necessidades das pessoas com mobilidade reduzida, e para a não violação da lei referente às acessibilidades aquando da realização de obras futuras…?

NOTA: Os parágrafos assinalados com um (*) foram retirados do jornal i online.

Viver em Lisboa é uma aventura!

17 Set

Testemunho de vida

Texto escrito por Carla Oliveira & 
Editado por Lisboa (In)Acessível

Carla Oliveira sentada na sua cadeira de rodas, num jardim,  de frente para a foto.

O meu nome é Carla Oliveira e tenho 38 anos.

Estou a terminar uma Licenciatura em Contabilidade e Administração e ao mesmo tempo estou a trabalhar num call center em part-time para conseguir suportar as despesas.

Ando de cadeira de rodas eléctrica porque nasci com Osteogénese Imperfeita (mais conhecida por Doença dos Ossos de Vidro).

Viver em Lisboa não é propriamente um mar de rosas nem tão fácil como possa parecer.

Digo isto porque vivo diariamente na pele o que é precisar de ir a qualquer lado e ter de sistematicamente planear e escolher qual o caminho ou o transporte que preciso tomar para conseguir chegar ao meu destino, algo  com que as pessoas ditas “normais” não têm de se preocupar.

Se for “a pé” (cadeira de rodas) tenho de conhecer primeiramente o caminho para saber se posso ir por ai; se posso ir pelo passeio e se este tem condições para mim (se é rebaixado, se não tem buracos ou pedras soltas, se não é inclinado, se não tem obstáculos), ou se sou obrigada a ir pela estrada sujeita às velocidades dos carros e ter um acidente, ou, às palavras, atitudes e comportamentos menos próprios dos condutores.

Se for de transportes públicos estou sempre condicionada porque nem todos são acessíveis. Os auAutocarro da carris com a rampa de acesso aberta para o exterior.tocarros da Carris, mesmo os acessíveis,  colocam-me em permanente sobressalto devido às avarias constantes das suas rampas, que me fazem perder tempo e chegar atrasada. Se quero viajar de metro estou limitada às estações que têm elevadores – que infelizmente são ainda muito poucas – constantemente avariados devido ao uso abusivo por parte de quem deles não necessita, e sou obrigada a ter que pedir ajuda aos operadores, o que não me permite ser independente. Além disso, para falar com os operadores tenho que  carregar num botão localizado a uma altura consideravelmente alta para quem está sentado numa cadeira de rodas, e que está frequentemente avariado – o que me impede de usufruir desse apoio, e em certas estações, os operadores não estão do lado onde preciso de ajuda.

 

Quando finalmente chego ao cais da estação deparo-me com a entrada limitada para a carruagem do metro, devido ao grande distância e desnível existentes entrUma pessoa em cadeira de rodas entra numa carruagem do metro, auxiliada por  pessoa que a empurra. e a plataforma e a carruagem. Todas estas situações anteriormente descritas me reduzem à dependência…

Para além de todas estas dificuldades que encontro ao deslocar-me nos transportes (e possivelmente não referi todas), existe ainda um grande obstáculo chamado ser humano, que faz questão de frequentemente me desrespeitar quer em palavras quer em atitudes, ao ocupar o lugar que me é reservado (no caso da carris) e a dar encontrões na cadeira, e, se chamo a atenção, dizem-me que “quero o autocarro todo para mim” e começam a ofender-me…

Outra barreira constrangedora é o acesso aos espaços físicos. Quantas vezes não posso aceder às lojas, serviços, casas, etc., porque têm degraus à entrada e no seu interior; porque até têm elevadores mas nestes não cabe a minha cadeira de rodas; porque têm o espaço demasiado estreito… enfim, muitos e variados são os impedimentos para quem tem mobilidade reduzida. E por isso, tal como referi no título deste artigo, viver em Lisboa é uma aventura, por vezes bem amarga.Carla Oliveira a tomar um copo com uma amiga.

Apesar de todos estes contratempos considero-me uma pessoa sortuda porque saio bastante de casa e tento fazer a minha vida o mais normal possível. Infelizmente existem muitas outras pessoas que nem de casa podem sair…

Para mim estas barreiras só servem para me tornarem mais forte e me darem mais coragem para seguir em frente, por isso, deixo-vos aqui o testemunho do meu dia-a-dia em Lisboa juntamente com um conselho: NUNCA DESISTAM DE LEVAR AS VOSSAS VIDAS PARA A FRENTE, por mais obstáculos que vos apareçam no caminho. EU NUNCA DESISTO!

Carla Oliveira

Apoio a estudantes com Necessidades Educativas Especiais no Ensino Superior

10 Set

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O Grupo de Trabalho para o Apoio a Estudantes com deficiências no Ensino Superior  (GTAEDES) foi formalmente constituído em 2004 com o intuito de disponibilizar  serviços de apoio a estudantes com Necessidades Educativas Especiais (NEE), melhorando a qualidade dos serviços disponibilizados e apostando na aproximação inter-serviços de apoio, de forma a facilitar a troca de experiências, o desenvolvimento de iniciativas conjuntas e a racionalização de recursos.

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No passado dia 19 de Junho de 2014 o GTAEDES promoveu e coordenou o seminário “Inclusão no Ensino Superior”,  entre as 10h00 e as 17h00 no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, no qual foram divulgados os resultados do inquérito nacional sobre os apoios concedidos aos estudantes com NEE nos estabelecimentos de ensino superior, que teve o apoio da Direcção-Geral de Ensino Superior e que contou com a colaboração de várias instituições de ensino superior.

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Os resultados deste inquérito revelaram que as instituições/estabelecimentos de ensino superior, público e privado, podem oferecer atualmente aos estudantes com NEE os seguintes apoios:

  1. Serviço/pessoa de contacto para o acolhimento e acompanhamento de estudantes com NEE;
  2. Regulamento ou estatuto;
  3. Adaptações curriculares e avaliação (e.g. adaptação dos instrumentos de avaliação, utilização de suporte informático e aumento dos prazos para entrega dos trabalhos escritos);
  4. Produtos de apoio específico (e.g. computador portátil);
  5. Apoio individualizado (e.g. um tutor);
  6. Acessibilidade e mobilidade (e.g. alguns edifícios e casas de banho estão adaptados para facilitar o acesso de pessoas com mobilidade condicionada, assim como salas de aula, laboratórios, etc.).

Para desenvolver todas as suas iniciativas, o GTAEDES conta com a colaboração das seguintes entidades:

  • Direção Geral de Ensino Superior
  • Unidade Acesso – Fundação da Ciência e da Tecnologia
  • Instituto Nacional para a Reabilitação

Para obter mais informações sobre os apoios específicos concedidos por cada uma das instituições/estabelecimentos de ensino superior, por distrito, consulte a seguinte página:

http://gtaedes.ul.pt/lista_distritos

 

Conhecer a Mouraria

3 Set

No dia 28 de Julho de 2014 a equipa Lisboa (In)Acessível participou numa visita guiada pelo bairro da Mouraria, em Lisboa. Esta visita foi efetuada pela Associação Renovar a Mouraria (ARM), uma organização comunitária criada em 2008 com o objetivo de revitalizar este bairro histórico e de contribuir para uma melhoria das condições de vida local, desenvolvendo nesse sentido inúmeras atividades de âmbito cultural, social, económico e turístico sobretudo com a população local, ainda que não exclusivamente.

Um dos projetos desta associação é o denominado por Mouraria para todos que consiste na realização de visitas guiadas pelo bairro orientadas para pessoas com necessidades especiais. As adaptações das visitas para estes participantes consistem na instalação de rampas para os que apresentem mobilidade reduzida; na escolha de trajetos onde os sons, os cheiros e os sabores valorizem a experiência turística para o público com deficiência visual; e, a utilização de intérpretes de língua gestual portuguesa nas visitas com participantes surdos.

Estas visitas são apoiadas pelo programa EDP Solidária da Fundação EDP, e os guias receberam formação específica através da associação, o que garante a qualidade do serviço aos visitantes, e possibilita impulsionar o emprego local.

A nossa visita foi iniciada junto à igreja de Nossa Senhora da Saúde, no largo do Martim Moniz, pelas 10.30h. Através das seguintes fotos podem visualizar a nossa agradável visita. Esperamos que gostem.

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Aconselhamos todas as pessoas com necessidades especiais a realizarem esta visita, desfrutando do melhor que a Mouraria tem para oferecer: ruas coloridas e pitorescas, cheias de história e multiculturalidade, mercearias perfumadas, restaurantes e lojas com iguarias e objetos orientais (e não só!), lugares de culto diverso como o islâmico, taoísta ou cristão…

Contactos: http://www.renovaramouraria.pt

http://www.renovaramouraria.pt/contactos/

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