Inacessibilidade pedonal, o pão nosso de cada-dia!

14 Fev

Circular como peão por Lisboa pode constituir-se como um verdadeiro suplício diário e um infindável e incompreensível percurso de obstáculos a ultrapassar. Qual montanha-russa, a cidade das sete-colinas oferece verdadeiras imagens de vertigem, horror e enjoo, não só para os mais vulneráveis, mas a qualquer cidadão que se preze e que goste de circular livremente e em segurança pelos percursos pedonais da capital.

Ora vejamos em pormenor os ditos obstáculos:

1.  As dimensões dos passeios [altura X largura]

cadeira de rodas não sobe passeio

 Muitos dos passeios lisboetas são demasiado altos e não possibilitam uma subida ou descida autónoma de alguns dos seus cidadãos. Se pensarmos nos cidadãos de mobilidade reduzida, como aqueles que se deslocam em cadeiras-de-rodas ou os mais idosos, uma altura do passeio com mais de 2cm, já é uma enormidade e obrigá-los-á a circular pela estrada ou, a pedir ajuda a terceiros. Um exemplo típico desta inacessibilidade é a ligação entre o passeio e a passadeira, que deveria ser sempre rebaixada (i.e. com menos de 2 cm de altura).

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Outro dos problemas que os passeios da cidade colocam é a sua largura; muitos são demasiado estreitos, pondo em perigo a circulação de qualquer peão que aí se atravesse, nomeadamente aqueles que se deslocam em cadeiras-de-rodas, que, mais uma vez, ou têm que circular pela estrada (porque as cadeiras não cabem) ou escolher outro caminho alternativo.

2.  A inclinação e as malfadadas ESCADAS

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Devem contar-se pelos dedos as ruas lisboetas completamente planas e que não tenham escadas ao longo do seu troço. Pois é, lisboa está pejada de inúmeras e grandes inclinações e escadarias, martírio para todos aqueles que têm dificuldades de mobilidade e que são muitas vezes condição decisiva para a sua inacessibilidade.

 3. A qualidade e estado de conservação

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 A grande maioria dos percursos pedonais da capital é constituída pela belíssima mas pouco acessível calçada portuguesa, que infelizmente em muitos locais se encontra em degradante estado de conservação.

Outros passeios há, que sendo ou não constituídos por calçada, são irregulares (com falhas, diferentes alturas e materiais) e escorregadios, proporcionando as quedas ou a sua inacessibilidade. A regularização dos passeios e a colocação de material antiderrapante são medidas fundamentais para possibilitar a viabilidade de acesso nas vias pedonais.

4.  Outros obstáculos físicos

Rua-S-Mamede_PASSADEIRA

Tantos outros são os “emplastros” físicos que povoam os passeios já de si estreitos e pouco acessíveis.

De assinalar o próprio mobiliário urbano, como as paragens de autocarro, os sinais de trânsito, os postes publicitários ou os caixotes de lixo.

No entanto, um dos obstáculos mais constantes e evitáveis são os carros estacionados em cima dos passeios ou frente às passadeiras, ocupando assim parte ou a totalidade da via destinada aos peões – sinal de uma falta de cidadania e inconsciência extrema de quem incorre nestas situações.

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É verdade que Lisboa é uma capital com muita história e tradição e que há locais cuja adaptação poderá ser mais trabalhosa, mas começar com medidas simples, como o rebaixamento de todos os passeios, ou a proibição rigorosa de estacionar em cima dos passeios, é um dever e uma prioridade que assistem à Câmara Municipal de Lisboa, uma vez que estas medidas podem fazer toda a diferença na vida de tantos dos seus cidadãos.

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