Medo ao atravessar a praça

20 Fev

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Praça de Espanha. Esta enorme área de confluência de várias avenidas é, infelizmente, um dos piores exemplos em termos de acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida que podemos encontrar em Lisboa.

Dos vários fluxos que se podem definir em termos de circulação pedonal, apenas um, o troço que liga a zona da Embaixada de Espanha à Fundação Gulbenkian se encontra mais ou menos adaptado.

A razão para esta exceção é simples: corresponde à travessia da ciclovia Campolide – Arco Cego, por essa zona. A regularidade do piso da ciclovia, proporcionada pelo material aplicado, asfalto, não eliminou, no entanto, os indesejáveis desníveis existentes nas passadeiras, que tantos sustos e quedas têm provocado a quem se desloca, sobretudo em cadeira de rodas.

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As restantes alternativas para a travessia da famosa praça não têm qualquer contemplação para quem se encontra com mobilidade reduzida: passeios altos; ausência de rebaixamento do piso na zona das passadeiras; tempos de travessia bastante curtos de algumas vias, impostos pelos semáforos; trânsito intenso e que não raras vezes se efetua a alta velocidade são condimentos que poderão esperar a quem se aventurar por aquela zona.

No caso das cadeiras de rodas a opção de circular pela berma da via apresenta-se como a única “solução” possível. Os riscos são por demais evidentes e stressantes, tanto mais que, por se tratar de uma zona de confluência de acessos, é muito difícil de evitar.

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A solução parece por demais óbvia e choca não ter sido ainda implementada: a criação de um anel de circulação pedonal que contemple as várias zonas de atravessamento das vias. Esse anel teria o piso em asfalto, de cor verde, por exemplo, para demarcar do das ciclovias, que é vermelho, que assim indicaria tratar-se de um corredor para a circulação prioritária de peões. As zonas de atravessamento das vias seriam completamente niveladas, isto é, sem o absurdo desnível de 2 cm, tão comummente encontrado nos “rebaixamentos” existentes. Os tempos de atravessamento das vias seriam ajustados à população menos célere. Esta solução não parece obrigar a grandes obras e não seria, portanto, muito dispendiosa. Para quando?

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2 Respostas to “Medo ao atravessar a praça”

  1. Carlos Nogueira 5 FevereiroUTC000 às 141230 #

    Parabéns por exemplificarem as dificuldades que todos, em particular as pessoas com mobilidade reduzida, sentimos nesta Lisboa pouco acessível. Às vezes é necessário “chocar” para provocar mudanças, e melhor do que uma imagem, só mesmo dar aos responsáveis pela eliminação destas barreiras a possibilidade de viverem estes constragimentos na 1ª pessoa, sentando-os num “trono” com rodas.
    Obrigado Filipa, Madalena e Hélder

    • Filipa Sena Marcos 5 MarçoUTC000 às 140130 #

      Obrigada Carlos!
      Contamos sempre com a tua participação crítica.
      Um abraço de até já querido amigo!
      Em nome de toda a equipa
      cumprimentos “acessíveis”;)

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