Museu da Marinha Acessível? Parte II

27 Mar

Visita guiada ao Museu da Marinha

Poster no exterior do museu que o anuncia e por detrás po ver-se como pano de fundo, parte do Mosteiro dos Jerónimos que alberga o Museu

O primeiro aniversário do Lisboa (In)Acessível foi celebrado no dia 14 de Fevereiro de 2014, com uma visita guiada ao Museu da Marinha, em Belém. Esta visita foi conduzida pela nossa querida amiga Olímpia Gordon,* guia do museu desde 2002.

A Carina B., a Madalena B. e eu fizemos-nos acompanhar pela Andreia Ribeiro, nossa colega no curso “Acessibilidade: Uma visão Integrada” promovido pela Acesso Cultura.

A poucos metros da entrada do museu deparamos-nos com umEstacionamento reservado a pessoas com mobilidade reduzida, mal localizado e sinalizado. lugar de estacionamento reservado a pessoas com mobilidade reduzida (PMR). No entanto este lugar não estava nem bem localizado (à beira da estrada e e quase em cima da passadeira, ou seja, em contra-ordenação, vá!), nem bem sinalizado (sem sinalização no piso, apenas sinalização vertical) e, não tinha as dimensões consagradas na lei (facto que dificulta a saída do carro por parte do condutor com mobilidade reduzida e não o protege dos perigos a que o trânsito limítrofe eventualmente o pode sujeitar).

Acedemos ao museu pela entrada principal, constituída por uma porta pesada e de difícil manipulação (principalmente para quem não possui muita força ou mobilidade nos membros superiores), e por um piso plano sem constrangimentos (livre de degraus!). A Olímpia já nos aguardava sorridente e entusiasmada, como alguém que faz bem o seu trabalho e tem prazer no que faz. Primeira sala do museu onde se vê ao centro uma grande estátua do Infante D. Henrique e, à sua direita, a Carina e a Madalena Brandão a ouvirem as explicações da Olímpia Pinto. Da observação e troca de palavras e conhecimentos críticos mútuos partilhados entre as visitantes e a Olímpia verificámos o seguinte em relação às condições de acessibilidade do museu:

1) O balcão da recepção/bilheteira é alto o suficiente para impossibilitar o atendimento conveniente às crianças, a pessoas de menores dimensões ou às que se encontram em cadeiras de rodas.

Balção maciço de madeira, para atender os visitantes e vender os bilhetes de entrada.

2) A altura demasiado elevada a que estão expostas inúmeras peças, agravada pelo facto de muitas destas estarem colocadas no interior de vitrines, com o respectivo “efeito de reflexo, limitam a sua apreensão e visualização e impedem o contacto físico entre o visitante e as obras…

3) Ao não possuir piso com sinalização táctil (guias), os visitantes cegos ou com baixa visão terão maior dificuldade em se orientarem no amplo espaço do museu.

4) O museu reserva um percurso táctil e dois catálogos acessíveis, específicos para guiar a população com deficiência visual. Um dos catálogos apresenta escrita braille, para pessoas cegas, e, o outro, uma escrita aumentativa (i.e. com letras em maiores dimensões) para ser utilizado preferencialmente por pessoas com baixa visão. Catálogos acessíveis, com escrita aumentativa.No entanto este serviço é restrito porque está pré-definido e é fixo, não apresentando todas as peças do museu, apenas uma selecção questionável, cujas peças não estão nas devidas condições para serem perceptíveis ao toque e, não se constituem como as mais relevantes do espólio, não tendo frequentemente qualquer ligação com outros objectos artísticos envolventes. A fim de colmatar este constrangimento, a Olímpia sugeriu que ao lado das peças originais de grandes dimensões, susceptíveis de não permitirem a exploração táctil completa da obra, se colocassem réplicas de menor tamanho (para facilitar o toque e ter uma noção geral da peça na sua totalidade).

5) As peças pertencentes ao percurso táctil estão todas legendadas em braille. Contudo, apenas uma obra, localizada na primeira sala expositiva, tem legendagem simultânea e Caravela de tamanho média exposta sobre uma mesa. Do seu lado esquerdo tem legendagem simultaneamente em braille e em escrita aumentativa. A Carina observa esta obra estando de costas para a fotografia.sobreposta dos caracteres a negro (i.e. escrita comum utilizada por pessoas sem graves défices visuais – normovisuais), com caracteres de maiores dimensões (i.e. escrita aumentativa), o que a nosso ver se torna confuso, porque dificulta a legibilidade às pessoas com baixa visão ou às normovisuais. Assim sugeriríamos que fosse colocada a escrita aumentativa noutra placa, a par da placa com escrita braille.

6) A tradução em braille está apenas feita para a língua portuguesa, não existindo tradução feita para outra língua universal como o inglês.

7) As legendas em geral não estão bem construídas e estão mal colocadas: são compostas por letras pequenas; têm descrições desinteressantes, pouco informativas e relevantes para a obra em causa; estão distantes do olhar do visitante; Nau em madeira, colocada numa vitrine, e onde se observa que as legendas estão colocadas no interior da vitrine à frente da peça.a sua correspondência com as obras não é intuitivamente perceptível; e algumas estão colocadas em vitrines, que fazem reflexo, dificultando ainda mais a sua leitura.

8) O museu tem uma WC adaptada e uma plataforma elevatória e um elevador para aceder ao segundo andar, instrumentos positivos a reforçar.

9) Deveriam ser introduzidas visitas em Língua Gestual Portuguesa (LGP), e outros materiais de apoio, como vídeos explicativos em LGP, veículos essenciais para guiar convenientemente visitantes surdos.

*Ler o post anterior de onde consta a biografia da Olímpia e a entrevista  realizada à sua pessoa pela nossa equipa.

Contactos do Museu:

Site: http://museu.marinha.pt/pt/Paginas/default.aspx

E-mail: geral.museu@marinha.pt

Tel.: 213620019

Horário atendimento: das 9h às 17h

Como chegar?

http://museu.marinha.pt/PT/extra/Paginas/Como-Chegar.aspx
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