Acessibilidade nos Festivais de Música em Portugal

9 Abr

Conferência:

“Mobilidade Reduzida:Infraestruturas, informação e preparação. Uma experiência equivalente à do público em geral?”

A equipa Lisboa (In)Acessível foi convidada a participar numa conferência sobre o tema «Mobilidade Reduzida: Infraestruturas, informação e preparação. Uma experiência equivalente à do público em geral?», no âmbito do Talkfest´2014 – O Fórum sobre o futuro dos Festivais de Música em Portugal, decorrido entre os dias 13 e 15 de Março, nas instalações do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

 A conferência foi moderada pelo Jornalista da Blitz e do Expresso, Mário Rui Vieira, e contou com os seguintes oradores: Madalena Brandão [Lisboa (In)Acessível], Eduarda Afonso (Fisiatra do Centro Hospitalar do Algarve – Faro), José Madeira Serôdio (Diretor do INR), Pedro Guilherme (Diretor Criativa/Musa Cascais) e Ricardo Coelho (Músico Cavaliers of Run/ Road Manager).

 Ao longo deste debate foram abordados os seguintes tópicos: experiência de pessoas com mobilidade reduzida em festivais de música em Portugal; diferentes tipos de mobilidade reduzida (diferenciação técnica); bilhética existente (é clara, é ou não é adaptada…); novas soluções; e, a visão do público e do palco/artista sobre esta situação.

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Madalena Brandão, a representante da nossa equipa, apresentou a sua experiência como utilizadora de zonas de mobilidade reduzida, em festivais de música. No entanto, para obter um feedback mais alargado desta realidade e, de forma a consubstanciar o debate, uns dias antes havia aplicado com a sua equipa um questionário online, dirigido a pessoas com a condição de mobilidade reduzida e/ou dificuldades sensoriais, com a finalidade de perceber quais são as condições de acessibilidade atualmente existentes nos festivais de música em Portugal. A partir dos resultados obtidos com a aplicação deste questionário podemos constatar que, de uma forma geral, as pessoas com mobilidade reduzida e/ou com dificuldades sensoriais ainda não vivem uma experiência equivalente à do público em geral nos festivais.

Apesar do esforço gradual, efetuado pelas equipas organizativas dos festivais de música em Portugal, para oferecerem condições para que a experiência tida nos festivais por parte das pessoas com mobilidade reduzida e/ou dificuldades sensoriais, seja proporcional à do público em geral, esta realidade ainda está distante da experiência positiva internacional. A nível internacional já existem alguns festivais com zonas de campismo adaptado a pessoas com mobilidade reduzida; zonas essas que contam tanto com assistência médica especial, como por exemplo, com postos para o carregamento de baterias de cadeiras de rodas elétricas. Existe ainda a possibilidade de levar um acompanhante pessoal externo à organização em regime de bilhete duplo – para quem não possa entrar sozinho no recinto.

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Resultados síntese do questionário:

 

 

 

Através da aplicação deste questionário conseguimos obter no total 27 respostas; 16 pessoas do sexo feminino e 12 do sexo masculino; 60% com paraplegia, 35% com tetraplegia e 6% com cegueira (ver Gráfico 1 abaixo).

 Gráfico 1: Qual o seu tipo de deficiência?

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67,86% dos inquiridos responderam que já tinham ido a pelo menos um festival de música em Portugal, e 32,14% que nunca tinham ido (ver Gráfico 2 abaixo).

 Gráfico 2: Já foi a Festivais de música em Portugal?

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Os festivais em que os inquiridos estiverem presentes foram os seguintes: Rock in Rio, Optimus Alive, Delta Tejo, Super Bock Super Rock, Primavera Sound, Sudoeste, Festas da música em Cascais, Vilar de Mouros.

Quando foi pedido aos questionados que especificassem quais as dificuldades de acessibilidade encontradas nos festivais, estes indicaram as seguintes:

  • WC pequenos
  • Lugar especial para pessoas com mobilidade reduzida (PMR) distante do palco e muitas vezes em más condições
  • Falta de acessibilidade dos restaurantes/ roulottes
  • Dificuldades de circulação no recinto do festival
  • Mau piso: enlameado (quando chove), de terra batida, com pedrinhas, com altos e baixos (não plano)
  • Falta de estacionamento reservado para PMR
  • Nenhuma dificuldade desde que tenha ajuda
  • Material das rampas pouco seguro

Ao invés, quando lhes foi solicitado que especificassem as boas práticas de acessibilidade nos festivais, os questionados referiram as seguintes:

  • Existência de rampas e elevadores
  • Boa circulação em cadeira de rodas no Optimus Alive
  • Voluntários
  • Estacionamento
  • Local especial para PMR
  • WC´s adaptados
  • Transporte acessível para transportar até o local especial
  • Palco acessível junto ao palco (Super  Bock Super Rock)
  • Boa visibilidade

Através da análise das respostas à última pergunta do questionário que incidia sobre as condições de acessibilidade encontradas e, as desejadas, nos festivais, e se pedia aos participantes que classificassem por ordem de importância determinadas condições de acessibilidade [de 1 a 11, sendo a condição 1 a MAIS importante e a 11 a MENOS importante] verificámos que os inquiridos dão uma maior importância às seguintes condições:

  • Os conteúdos dos materiais de divulgação sejam acessíveis a pessoas com necessidades específicas [ex: cegueira] (7,11%),
  • Existência de ajudas técnicas para pessoas com dificuldades auditivas (6,74%)
  • Balcões de atendimento acessíveis (i.e. bilheteira, roulottes de comida e bebida, etc.) (5,30%)
  • Voluntários disponíveis para dar apoio (dar informações, acompanhar nas deslocações, apoio no WC, etc.) (5,19%).

Aos seguintes aspetos os inquiridos atribuíram surpreendentemente uma menor importância (com percentagens abaixo dos 5%):

  • Materiais de divulgação do festival (site, folhetos, cartazes, etc.) terem descritas as condições de acessibilidade existentes no festival (4,63%)
  • Fácil acesso de deslocação até os festivais” (4,07%)
  • Boa visibilidade para o palco (3,85%)
  • Parque de estacionamento/lugares reservados a pessoas com mobilidade reduzida (3,44%)
  • WC´s adaptados” (3,41%)
  • Existência de rampas e locais especiais de fácil acesso para assistirem ao festival (3,37%)
  • Fácil acesso e circulação de pessoas com mobilidade reduzida no espaço dos festivais (3,04%).

Estes resultados foram extraídos a partir da análise do gráfico 3 abaixo:

Gráfico 3: Condições de acessibilidade

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 Em jeito de conclusão podemos observar que há festivais que apresentam condições muito positivas de acessibilidade, que são contrabalançadas mas sempre constantemente com condicionantes. No entanto verificamos que por parte das organizações existe uma cada vez maior preocupação em assegurar boas condições de acessibilidades e um esforço crescente para corrigir as lacunas. Relativamente ao espaço dos dormitórios num festival de longa duração, como por exemplo, o Sudoeste, os parques de campismo não oferecem condições de acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida. Ainda é uma questão nula em Portugal, diferente de outros países onde existem zonas de campismo adaptadas, que contam com assistência médica especial e com postos de carregamento de baterias das cadeiras elétricas. Ao nível do alojamento em residência, é complicado encontrar em Portugal quartos adaptados.

Em relação à forma como decorreu esta conferência, pensamos que foi um sucesso, pela qualidade dos oradores, pelo impacto dos conteúdos, e pela presença fantástica de todos os participantes. Parabéns à organização do Talkfest 2014 por esta maravilhosa iniciativa!

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