Pasteis de Belém com um sabor amargo

15 Abr

Imagem com 4 pasteis de belém em cima de um prato, um suporte de guardapos azul

 

imagem com muitas pessoas na fela para a confeitaria dos pasteis de belém

 

A Confeitaria de Belém é frequentada por milhares de pessoas todos os anos que procuram desfrutar dos seus característicos e apetitosos Pastéis de Belém, hoje em dia mundialmente famosos.

 

 

 

 

 

imagem da grande sala da confeitaria dos pasteis de belém. Tem pessoas sentadas às mesas

 

 

No entanto, a equipa Lisboa (In)Acessível vai relatar um episódio ocorrido na primeira pessoa, na dita confeitaria, que revelou uma falta de sensibilidade e de consideração pelas pessoas com mobilidade reduzida.

imagem da confeitaria dos pasteis de belém

 

 

 

 

 

 

 

 

No passado dia 14 de Fevereiro, a nossa equipa juntamente com uma colega do curso “Acessibilidades: Uma visão Integrada”, dirigiu-se à pastelaria para comemorar o 1º aniversário do Lisboa (In)Acessível. Quando chegámos reparámos que numa das entradas principais já não se encontrava uma rampa amovível como antigamente. Achámos estranho mas mesmo assim entrámos e subimos a custo, e pelos nossos meios, o alto degrau (uns 20 cm).

 

Verificámos que o interior da pastelaria contempla, felizmente, quase na sua totalidade, as normas de acessibilidade desejáveis, com rampas de acesso, WC´s adaptados e, corredores de circulação largos e desimpedidos. Apenas o balcão de atendimento é demasiado alto para atender pessoas de menores dimensões ou para as que se deslocam em cadeiras de rodas.

 

imagem de uma das entradas principais da confeitaria com o degrau. E 2 elements da equipa Lisboa (In)Acessível em cadeira de rodas à porta

 

Fomos amavelmente atendidas e deliciamo-nos com os famosos pastéis. Mas nas nossas cabeças continuavam a pairar as questões “O que terá acontecido à rampa amovível? Esta pastelaria não tinha uma a entrada acessível?”.

 

Na hora de pagar questionámos o funcionário que nos atendeu sobre estas dúvidas, o qual nos respondeu que existe uma entrada acessível nivelada e que por isso já não era necessária a rampa amovível. Ficamos mais descansadas e visivelmente contentes, mas ao mesmo tempo intrigadas, por não termos reparado à entrada neste acesso.

 

Desfecho infeliz do grande enigma!

imagem da entrada acessível. Janela azulimagem d uma sala da confeitaria com mesas e pessoas sentadas e uma funcionária a servir

 

Assim, decidimos sair por esta dita entrada acessível (imagens a cima) e deparámo-nos com uma grande surpresa! Esta entrada existe de facto, e tem o piso nivelado, no entanto, estava fechada, e com a tranca colocada, não deixando qualquer hipótese de abertura do lado de fora do estabelecimento por parte dos clientes e, tinha inclusive mesas e cadeiras de atendimento ao público a “barrar” a abertura da porta e a livre circulação …! Perante o nosso espanto, perguntámos ao funcionário porque é que aquela porta não se encontrava aberta e sem as mesas a impedirem a entrada, nomeadamente de pessoas com mobilidade reduzida e em cadeira de rodas, uma vez esta “é suposto ser” a entrada acessível. O funcionário argumentou que a porta não podia estar permanentemente aberta porque entrava frio para as clientes e que “não se pode agradar a toda a gente!”. Deu-nos ainda a entender que a pessoa com mobilidade reduzida se quiser entrar livremente, tem de bater à porta e esperar que um funcionário atento e disponível abra a porta, possibilitando o seu acesso! Situação surreal…

 

Alertámos o funcionário para o absurdo desta situação, propondo-lhe 3 soluções urgentes a tomar:

 

  • A abertura permanente daquela porta, com a respetiva reorganização do espaço interior do estabelecimento, desocupando a largura de entrada, e, a colocação visível do símbolo universal de acessibilidades junto à porta, identificando-a; ou, a colocação de uma campainha à entrada para a pessoa com mobilidade reduzida poder assinalar a sua chegada; e ou
  • A recolocação da rampa amovível, permanentemente, numa das outras portas principais.

 

Uma pastelaria como esta, reconhecida internacionalmente, e visitada por milhares de pessoas todos os dias, NÃO PODE ter este tipo de lacuna GRAVE ao nível das acessibilidades. Como consequência deste comportamento discriminatório, acaba por perder muitos clientes com mobilidade reduzida (CMR) e seus eventuais acompanhantes, uma vez que frequentemente os CMR se encontram acompanhados.

 

 

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5 Respostas to “Pasteis de Belém com um sabor amargo”

  1. Kathy Baptista 5 AbrilUTC000 às 140130 #

    Infelizmente enquanto não houver fiscalizações ou coimas aplicadas aos estabelecimentos, nunca este assunto e outros como este irá ter um final feliz.

  2. Henrique Mendes 5 AbrilUTC000 às 140930 #

    Totalmente inaceitável ! espero que tenham deixado registo no livro de reclamações !

  3. Isabel Lobo 5 AbrilUTC000 às 140930 #

    “Esta entrada existe de fato”… de facto!!! De acordo com o novo AO facto é facto no português de Portugal (fato no Brasil porque não se pronuncia o c). Mas, já agora, se deixassem o Aborto Ortográfico de lado, era bem melhor…

    • Madalena Brandão 5 AbrilUTC000 às 140930 #

      Cara Isabel Lobo. Obrigado pela correção. Realmente de acordo com nobo AO ainda continua de “facto”, vamos corrigir esse erro. Quanto ao abortar, não iremos fazê-lo, pois, atualmente escreve-se assim e iremos seguir as evoluções. Temos um elemento da equipa que não adotar o novo AO. É uma escolha e há que respeitar.

Trackbacks/Pingbacks

  1. Visitando Lisboa com cadeira de rodas 2 - Cadeira Voadora - 5 JunhoUTC000

    […] Acessibilidade da confeitaria, no blog Lisboa (In)Acessível […]

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