Turismo Sobre Rodas

2 Jul

Quatro alunos universitários e as três raparigas do Lisboa Inacessível

Um grupo de cinco alunos finalistas do curso de Gestão do Lazer e Animação Turística, da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, decorrente de uma reunião com a Associação Salvador e por indicação desta, desafiou as três dinamizadoras do Lisboa (In)Acessível a acompanhá-los numa visita turística à Fundação Calouste Gulbenkian e ao Oceanário de Lisboa, no dia 5 de Junho de 2014.

A visita foi organizada por estes estudantes no âmbito de uma avaliação curricular da disciplina de Planeamento e Gestão em Atividades para Populações Especiais (PGAPE), e tinha como principal objectivo a concepção e avaliação de um percurso e programa turísticos acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida.

Para este efeito os universitários construíram uma grelha de observação e avaliação das condições de acessibilidade, que foi sendo preenchida ao longo da visita,  de acordo com critérios e categorias de acessibilidade baseados no Guia de Mobilidade e Acessibilidade para Todos, de 2007,especialmente concebido para facilitar uma melhor interpretação  do DL 163/2006 de 8 de Agosto (que regula as normas técnicas de acessibilidade física).

Um dos rapazes do grupo preenche a ficha de avaliação das acessibilidades

O grupo Lisboa (In)Acessível foi convidado a participar devido à sua experiência pessoal e de trabalho em matéria de acessibilidades, sendo mais uma voz crítica na hora da avaliação dos espaços turísticos.

O dia de visita começou pelas 10h00 com uma reunião no edifício Sede da Gulbenkian, liderada pela Dr.ª Maria João Botelho, Directora-Adjunta dos Serviços Centrais, que apresentou os progressivos esforços e acções desenvolvidas ao longo do tempo pela fundação ao serviço da melhoria das condições de acessibilidade, com destaque para as mais recentes alterações, nomeadamente:

√  Um percurso acessível, a pessoas com mobilidade reduzida, nos jardins;

√  Rampas de nível para aceder ao Grande Auditório;

√  Guias orientadoras para pessoas cegas ou com baixa visão, no piso, desde a porta principal até à recepção/bilheteira;

√  Novas wc´s adaptadas no interior do edifício principal;

√  O aumento do corpo de letra da sinalética.

Em seguida, o grupo foi conduzido para o edifício do Museu por uma guia especializada, com quem tiveram o privilégio de conhecer a exposição “Paisagem – Espaço Rural e Espaço Urbano”, sobre algumas peças de arte pertencentes ao espólio permanente do Museu Gulbenkian. O acesso ao museu é feito por duas rampas com uma inclinação muito elevada, o que no caso de pessoas que se desloquem em cadeira de rodas manuais só é possível ultrapassar com a ajuda de terceiros. Se forem utilizadores de cadeiras eléctricas conseguem subir e descer a rampa mas a descida pode provocar-lhes algum receio.

A Madalena do Lisboa Inacessível sobe uma das rampas inclinadas de acesso ao museu

Durante o trajecto entre o edifício sede e o edifício do Museu foi possível verificar um pormenor interessante e positivo de acessibilidade recentemente introduzido, e que havia passado despercebido a todo o grupo – uma campanha junto à rampa de acesso para os visitantes com mobilidade reduzida, com a finalidade de estes poderem pedir apoio para atravessar a rampa, aos funcionários da Gulbenkian. Apesar deste dispositivo estar sinalizado com uma imagem de uma campainha e da palavra “Assistência” em português e em inglês, o facto de ter passado despercebido a todo o grupo é um sinal de alerta para a forma como a sua sinalização está construída. A nosso ver esta campanha deveria ter maiores dimensões e os grafismos identificativos deviam ser constituídos por cores mais contrastantes entre si, para atingir a finalidade a que se propõe.

Sinalética indicativa de campainha para pedido de assistência por parte de pessoas com mobilidade reduzida

O grupo deslocou-se a pé desde a Gulbenkian até à estação de metro de S. Sebastião (onde é feita a intersecção entre as linhas azul e vermelha), e realizou tranquilamente, sem entraves à acessibilidade, o trajecto directo (sem mudança de linha) até à estação do Oriente (pertencente à linha vermelha); almoçou no C.C. Vasco da Gama (onde as condições básicas de acessibilidade estão garantidas), e perfez o breve percurso desde o centro comercial até ao Oceanário também a pé.

A Carina do Lisboa Inacessível  passa o bilhete de metro no acesso reservado a pesoas com mobilidade reduzida.

No oceanário a visita foi feita de forma independente, sem o recurso a um/a guia, por vontade e decisão conjunta do grupo, que dispensou uma visita guiada por já conhecer o espaço e as suas exposições.

No entanto, antes de começar a visita o grupo fez questão de pedir permissão para experimentar a funcionalidade do alarme de uma das wc´s adaptadas do espaço. O grupo pôde assim comprovar que o alarme estava a funcionar, que era facilmente accionável, e que o segurança respondeu imediatamente a esta solicitação deslocando-se ao local, verificando que estava tudo bem e desactivando o alarme.

A visita ao Oceanário decorreu com normalidade e entusiasmo, sem que o grupo e nomeadamente as duas raparigas com mobilidade reduzida tivessem que ter recorrido a qualquer ajuda de terceiros.

Os cinco universitários divertem-se no espaço exterior do oceanário a tirar uma foto num placar onde colocam a sua cara.

FIQUE ATENTO!

Num próximo post iremos abordar em maior detalhe as condições de acessibilidade encontradas durante esta visita, com base no relatório curricular desenvolvido pelos exemplares alunos universitários que a organizaram.

Até lá, fica desde já a saber que recomendamos este roteiro cultural lisboeta, pelas boas (embora ainda não perfeitas!) condições de acessibilidade que apresenta.

 

 

 

 

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2 Respostas to “Turismo Sobre Rodas”

  1. Eva Antunes 5 JulhoUTC000 às 141130 #

    Parabéns a todos, aos exemplares alunos e aos que ajudaram nestas “descobertas”. Trabalho de equipa é sempre positivo 😉

  2. GUSTAVO FRANCO 5 JulhoUTC000 às 140730 #

    Boa tarde!
    Sou Turismologo e Cadeirante, moro no Brasil e vou casar em Janeiro. Gostaria muito de passar minha Lua de Mel em Lisboa e Algarve. Sempre que viajo encontro dificuldades de informações, vocês tem um guia de locais adaptados em Lisboa e Algarve? Podem me indicar hotéis acessíveis e com cadeira de rodas para banho?
    Aguardo o retorno, obrigado.
    Gustavo Franco – gcsfranco@gmail.com

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