Vencer preconceitos.

12 Ago

Texto: Inês Maia | Edição: Lisboa (In)Acessível

Novo símbolo universal de acessibilidade.

Por mais que se apregoem ideais de inclusão, a verdade é que a cidade fala por si: persistem os espaços que estão ao alcance só de uns e onde não se verifica o cumprimento de regras básicas que garantam a inclusão de todos, levando os indivíduos com mobilidade condicionada a sentirem-se, de forma mais ou menos directa, excluídos. Existe a sensação de uma cidade construída para quem não tem limitações de mobilidade, o que implica que quem as tem precisa constantemente de encontrar mecanismos para se adaptar. Esta lógica segrega quem vive com mobilidade condicionada, num complexo processo de desigualdade e de desrespeito pelo outro. A sensação de que se vive estigmatizado reforça-se num circular quotidiano por uma cidade repleta de barreiras, onde, por exemplo, é raro encontrarem-se outras pessoas em cadeira de rodas.

Sabemos que as barreiras do edificado estão longe de ter apenas consequências ao nível dos impedimentos físicos. Isto porque os indivíduos não precisam apenas de acesso a um lugar, precisam também de sentir que o local lhes pertence e que é tanto deles como dos outros. Precisam de espaços que moldem como lugares seus. Em especial na cidade, lugar de encontro, as pessoas procuram os espaços com que se identificam e de que se podem apropriar, num processo de construção e reforço das suas identidades.

Para reverter este cenário, é fundamental perceber que a exclusão resulta da materialização de uma visão do mundo que ignora a complexidade e as diferenças dos seres humanos. No momento de pensar a cidade, ignora-se a diversidade de características de quem vai fruir dela. Esquece-se que aquilo que para alguns é irrelevante, para outros pode ser uma barreira. A estas noções, encontram-se também associados preconceitos muito enraizados. Persiste a dificuldade em aceitar como igual alguém com uma deficiência física; é comum que se centre o olhar nessa questão, esquecendo que aquele indivíduo tem muitas outras características, não sendo a cadeira de rodas aquilo que o define. Persiste a noção do “coitado” que precisa de ajuda para tudo, associada a um sentimento de pena. Também a ideia de que alguém com mobilidade condicionada pode e quer ser independente, assim como pode e quer ter uma vida activa, parece ainda surpreender muitas pessoas.

Assim, valorizamos a apropriação do espaço público que as pessoas com mobilidade condicionada têm vindo a levar a cabo. Desta forma, afirmam perante os outros (e perante si próprios) que as limitações físicas não podem ser motivo de exclusão e que o usufruto da cidade não deve ser limitado por estas. Todos nós devemos reforçar este caminho de confronto e combate aos preconceitos que persistem e que estão na base do planeamento de cidades que ainda excluem as pessoas com mobilidade condicionada. Desta forma contribuímos todos para a construção de espaços verdadeiramente inclusivos.

 

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