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RIBEIRA DOS “CALHAUS”

24 Set

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“Tanto a calçada como o piso da Ribeira das Naus são pisos muito difíceis, que provocam um grande incómodo no corpo, dores físicas e um grande cansaço”.

                                                                                                                                                                                                       (Carina Brandão)

O Movimento dos (d)Eficientes Indignados organizou no dia 13 de Setembro uma ação de protesto contra a falta de um piso acessível para pessoas com mobilidade reduzida, nomeadamente as que estão em cadeiras de rodas, na recém requalificada Ribeira das Naus, em Lisboa.

Os organizadores aguardavam as participações do Presidente da CML, do autor do projeto da Ribeira das Naus, e, de representantes da Ordem dos Arquitetos e da Associação dos Arquitetos Paisagistas.  No entanto,  apenas estiveram presentes a partir das 15h15 algumas pessoas com mobilidade reduzida, exibindo uma faixa com o slogan da ação: “VIVER NÃO É SÓ RESPIRAR”.

As pessoas que passeavam pela Ribeira foram convidadas a experimentar deslocar-se por aquele espaço sentadas numa cadeira de rodas, verificando por si mesmas as dificuldades em circular sob aquele piso, sendo simultaneamente informadas sobre os reais problemas sentidos por quem se desloca em cadeira de rodas e o que representa a falta de acessibilidades para as pessoas com dificuldades de locomoção.

Sabemos que esta zona foi durante anos um enorme estaleiro de obras e  que recentemente foi  transformada numa área vocacionada para o lazer, dando a primazia às pessoas e ao sei bem estar.

Infelizmente o renovado espaço não é acessível a pessoas com mobilidade reduzida, porque apresenta um piso extremamente irregular e desníveis injustificados, que obrigam estas pessoas a fazerem um caminho maior para percorrer as mesmas distâncias que o “comum mortal”. 

Esta obra confirma assim que se continuam a perpetuar os erros do passado e uma cultura indiferente e/ou permissiva à legislação existente, e que desconsidera as necessidades de acessibilidade.

Para o responsável dos (d)Eficientes Indignados, as autarquias de todo o país preocupam-se em construir ciclovias para os ciclistas, “mas esquecem-se que há pessoas que andam de cadeiras de rodas, que não podem andar num piso destes”, criticou.*

“A vibração que nós sentimos com a cadeira de rodas é uma vibração que nos incomoda de tal maneira […], que não temos prazer em andar aqui [Ribeira das Naus], isto foi construído para o prazer, para as pessoas poderem disfrutar das belezas da cidade”, lamentou.*

A participar no protesto estava também Manuela Ralha, que sofreu um acidente de viação há dez anos e ficou paraplégica. Indignada, referiu que este tipo de pisos “continuam a excluir todas as pessoas com mobilidade reduzida”, acrescentando que “afeta não só os cidadãos de cadeiras de rodas como pessoas de bengala, andarilhos, com carrinhos de bebés ou de patins”.*

Será que com esta acção o Movimento (d)Eficientes Indignados  conseguiu atingir o seu objectivo último de fazer “envergonhar” os responsáveis pela criação e aprovação deste projecto negligente, alertando para a sua redobrada consciencialização das necessidades das pessoas com mobilidade reduzida, e para a não violação da lei referente às acessibilidades aquando da realização de obras futuras…?

NOTA: Os parágrafos assinalados com um (*) foram retirados do jornal i online.

Apoio a estudantes com Necessidades Educativas Especiais no Ensino Superior

10 Set

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O Grupo de Trabalho para o Apoio a Estudantes com deficiências no Ensino Superior  (GTAEDES) foi formalmente constituído em 2004 com o intuito de disponibilizar  serviços de apoio a estudantes com Necessidades Educativas Especiais (NEE), melhorando a qualidade dos serviços disponibilizados e apostando na aproximação inter-serviços de apoio, de forma a facilitar a troca de experiências, o desenvolvimento de iniciativas conjuntas e a racionalização de recursos.

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No passado dia 19 de Junho de 2014 o GTAEDES promoveu e coordenou o seminário “Inclusão no Ensino Superior”,  entre as 10h00 e as 17h00 no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, no qual foram divulgados os resultados do inquérito nacional sobre os apoios concedidos aos estudantes com NEE nos estabelecimentos de ensino superior, que teve o apoio da Direcção-Geral de Ensino Superior e que contou com a colaboração de várias instituições de ensino superior.

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Os resultados deste inquérito revelaram que as instituições/estabelecimentos de ensino superior, público e privado, podem oferecer atualmente aos estudantes com NEE os seguintes apoios:

  1. Serviço/pessoa de contacto para o acolhimento e acompanhamento de estudantes com NEE;
  2. Regulamento ou estatuto;
  3. Adaptações curriculares e avaliação (e.g. adaptação dos instrumentos de avaliação, utilização de suporte informático e aumento dos prazos para entrega dos trabalhos escritos);
  4. Produtos de apoio específico (e.g. computador portátil);
  5. Apoio individualizado (e.g. um tutor);
  6. Acessibilidade e mobilidade (e.g. alguns edifícios e casas de banho estão adaptados para facilitar o acesso de pessoas com mobilidade condicionada, assim como salas de aula, laboratórios, etc.).

Para desenvolver todas as suas iniciativas, o GTAEDES conta com a colaboração das seguintes entidades:

  • Direção Geral de Ensino Superior
  • Unidade Acesso – Fundação da Ciência e da Tecnologia
  • Instituto Nacional para a Reabilitação

Para obter mais informações sobre os apoios específicos concedidos por cada uma das instituições/estabelecimentos de ensino superior, por distrito, consulte a seguinte página:

http://gtaedes.ul.pt/lista_distritos

 

Correr o troço do autocarro 728

1 Ago
Texto de Helder Mestre
Editado pelo Lisboa (In)Acessível

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O projecto “Corredor do bus”(http://www.corredordobus.com/), conduzido pelo João Campos, tem vindo a realizar diversas corridas nos troços efectuados pelos autocarros da Carris.

No passado dia 19 de Julho foi realizado o 15º percurso destas originais corridas, num dos troços mais extensos da Carris (mais de 22 Kms!), o do autocarro 728, compreendido entre o Restelo (Av. das Descobertas) e a Portela de Sacavém (Av. dos Descobrimentos).

Esta carreira atravessa toda a frente ribeirinha de Lisboa, que se estende desde a zona ocidental, que cruza o centro da capital e termina em plena zona oriental. 

Como um dos objectivos deste projecto é fazer alusão a problemas relacionados com a acessibilidade nas cidades, relativamente ao estacionamento, degradação da via, má sinalização, entre outros, o condutor do projecto convidou a participar um atleta com mobilidade reduzida, o Hélder Mestre, que faria o percurso sentado na sua cadeira de rodas propulsionada por uma handbike, e no final trocariam impressões acerca da experiência da corrida relativamente às acessibilidade nas vias pedonais do percurso.

Assim, o grupo Lisboa (In)Acessível convidou o Hélder Mestre a relatar a sua experiência após esta prova tão exigente.

Testemunho do Hélder Mestre

unnamed (3)«A primeira paragem do autocarro 728 no Restelo foi o ponto de partida estabelecido para a corrida, que foi precedida de um briefing, onde foi explicado o conceito e as regras básicas para a circulação em grupo, num aglomerado populacional tão concentrado como o de Lisboa.

Após o sinal de partida, o grupo composto por uma percentagem muito equilibrada de elementos masculinos e femininos, deslizou suavemente até Belém, zona turística por excelência.

De referir que embora o grupo privilegiasse a circulação no passeio, a presença da cadeira de rodas rapidamente obrigou à flexibilização deste conceito.

Desde o início da corrida que foram notórias as dificuldades sentidas para aceder aos passeios, devido por um lado à ausência de acessos nivelados, e por outro devido às irregularidade típica do pavimento em calçada portuguesa; ao mobiliário urbano estar a impedir a passagem (candeeiros e paragens de autocarros, por exemplo); aos estreitamentos inusitados das vias; e aos famosos buracos, fruto da degradação do pavimento e da inexistente manutenção – características  que já são bastante conhecidas da população que se desloca habitualmente em cadeira de rodas.

Ignorando o apelo da famosa pastelaria que produz os tão conhecidos pastéis de Belém, o grupo dirigiu-se para a Av.ª da Índia. O largo passeio era convidativo e circular na via era de todo desaconselhado. Aproximava-se o primeiro abastecimento, aos 5 kms. Escassos momentos bastaram para uma rápida hidratação e troca de comentários sobre o trajeto efetuado até ali. Era importante não arrefecer e não perder o ritmo porque a Portela ainda estava muito longe.

O grupo dirigiu-se rapidamente para o coração da cidade. A cadência era apenas interrompida quando a ausência de rampa obrigava a uma paragem forçada e à mobilização de um ou mais elementos para ajudar a vencer o obstáculo. A passagem na zona da baixa, entre o Cais do Sodré e o Campo das Cebolas, foi mais fluída do que se receava. O forte impacto turístico tem feito com que as condições de acessibilidade tenham melhorado, apesar de se tratar de uma zona antiga. Reflexo disso foi a possibilidade de circular no passeio, a bom ritmo, em ruas como a do Arsenal.

A reentrada na zona ribeirinha fez-se com a segunda paragem para abastecimento. Estávamos a atingir a primeira metade do percurso. O ânimo era elevado!

O recurso ao borrifador, para refrescar, foi escasso. A temperatura ambiente era muito agradável e uma brisa suave ajudava.

As condições de circulação iam melhorar significativamente. Íamos entrar na zona oriental que foi influenciada pela intervenção que se fez naquele que é agora o Parque das Nações. Vias largas, bom piso e uma via pedonal faziam o regalo do grupo.

Não esquecer, no entanto, que estávamos sujeitos aos condicionalismos do percurso da carreira 728. Assim, uns quilómetros à frente, fomos convidados a abandonar a acolhedora via pedonal e entrar numa zona antiga e onde se erguem os resquícios de antigas fábricas e grandes armazéns. A maior parte está degradada e outras foram convertidas em restaurantes. Estávamos em Marvila, na sugestiva rua do Açúcar. Devido ao escasso trânsito existente nessa zona, parte do grupo aproveitou para circular na estrada. Chegaríamos rapidamente à Praça David Leandro da Silva (Largo do Poço do Bispo), onde se situa o velhinho Clube Oriental de Lisboa, mesmo de frente para a bela frontaria dos degradados armazéns Abel Pereira da Fonseca, que serviram de palco para cenas do filme “Comboio Noturno para Lisboa”, com o famoso Jeremy Irons.

Com o regresso, uma vez mais, à zona ribeirinha, atingiam-se os 15 kms de percurso e o terceiro abastecimento. Bolachas, gel energético e líquido, garantiam uma correta reposição de nutrientes e a certeza de que o fim se aproximava de forma segura.

Imagem6A entrada no Parque das Nações trouxe de novo a calçada. Esta, ainda recente e não devidamente polida, provocava um muito desagradável estremecer da cadeira e do corpo já amassado e fatigado. Foi com agrado que ultrapassámos esta zona e chegámos a Moscavide. A paragem aos 20 kms, no quarto e último abastecimento, serviu para começar a gozar o prazer de estar a terminar tamanho desafio. Dali para a Portela, o término da carreira, foi um saltinho.

Terminámos juntos, em bloco, tal como deve ser num verdadeiro grupo. No final todos estavam felizes e animados para futuros projetos. Quando é o próximo? Perguntavam alguns. Dados finais: Distância: 22 400 metros. Duração: 2h40.

Foi uma experiência enriquecedora, não só pela superação do desafio mas também pela entreajuda que sempre houve entre o grupo e pela forma natural (inclusiva) como acolheram o elemento “diferente”.

Circular preferencialmente nas vias para peões, onde o passeio em calçada portuguesa representa a esmagadora maioria da oferta, é desgastante para o físico. O estremecer constante do corpo, resultante do piso irregular, provoca uma sensação de mal-estar e cansaço prematuros. Os troços em que era possível circular em pisos regulares como a via pedonal ou mesmo a estrada eram acolhidos com muito agrado.

Uma experiência a repetir».

Uma outra atleta, a Alexandra Palma, concedeu-nos também o seu testemunho desta prova:

«Um poste de eletricidade a meio de um passeio. Passamos diariamente por isto e nem nos damos conta das consequências. Neste percurso do Corredor do BUS, acabámos todos por viver cerca de 22km pelas ruas de Lisboa o que uma pessoa de cadeira de rodas tem de passar para se poder deslocar onde quer que seja. Aos nossos olhos diariamente convivemos com esta (triste) realidade… A cadeira não passa nem de um lado nem do outro… Foi talvez o que mais me chamou a atenção durante o treino. O Hélder, por exemplo na Av.ª da Índia, onde está a decorrer uma obra de rua, e foi deixado apenas meia dúzia de centímetros para os peões, teve de fazer o percurso pela estrada de frente para os carros. Infelizmente, a sociedade mal se apercebe destes “detalhes”. Este percurso foi muito compensador pois serviu para pensar duas vezes, por exemplo quando estacionamos o carro em cima do passeio só para o termos mais próximo de casa ou mais perto da entrada do supermercado… Para mim, a título pessoal, estes 22km fizeram-me começar a ter uma visão mais alargada deste problema».

As acessibilidades do Complexo Desportivo do Casal Vistoso

9 Jul

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A acessibilidade dos espaços para usufruto pleno das pessoas com deficiência e/ou mobilidade reduzida é uma prioridade! No entanto, muitas das estruturas desportivas disponíveis ao público, tais como as piscinas, não têm este factor em consideração.

O Complexo Desportivo do Casal Vistoso, sito na rua João da Silva, em Lisboa, é um empreendimento de grandes dimensões, composto por 3 equipamentos desportivos sediados em diferentes blocos que partilham serviços comuns. O pavilhão polidesportivo foi o primeiro equipamento a ser construído, e posteriormente o espaço foi ampliado com uma piscina de 25m, um ginásio e áreas comuns, que incluem entre outras, a recepção, a zona administrativa e a zona de restauração.

Dois dos membros do Lisboa (In)Acessível, as irmãs Carina e Madalena B., frequentam há seis anos estas piscinas, e vêm testemunhando as seguintes condições e lacunas deste espaço ao nível das acessibilidades:

1. Percursos Exteriores

  • Os percursos pedonais disponíveis para chegar até ao complexo desportivo são deficitários devido à má qualidade apresentada pelo piso, que tem inúmeros ressaltos e buracos, e, uma inclinação excessiva em determinados pontos, inclusive na passagem de peões, comprometendo assim o acesso a pessoas com deficiência motora e/ou mobilidade condicionada.

2. Estacionamento

  • Existe um lugar de estacionamento reservado a veículos de pessoas com deficiência e/ou mobilidade condicionada. Contudo o lugar está mal sinalizado, é distante da entrada principal e encontra-se muitas vezes indevidamente ocupado;
  • Existe também um lugar reservado no parque de estacionamento, mas o acesso para o pavilhão polidesportivo é feito por uma escada interior, constituindo-se assim como um percurso inacessível para pessoas com deficiência motora e/ou mobilidade condicionada.

3. Entrada

  • A entrada principal é totalmente acessível a pessoas com deficiência e/ou mobilidade condicionada, uma vez que apresenta uma porta bastante larga e o piso está devidamente nivelado.

4. Percurso Interior

  • No edifício do pavilhão polidesportivo, o acesso às bancadas para o público, bem como a dois dos ginásios sob as mesmas é feito unicamente por escadas interiores, não existindo qualquer acesso complementar para pessoas com deficiência motora e/ou mobilidade condicionada. O acesso às bancadas das piscinas está condicionado por este mesmo problema;
  • O acesso ao piso das piscinas é efectuado através de rampas que complementam as escadas. No entanto estas escadas e as rampas não têm faixas antiderrapantes e de sinalização visual;
  • No piso térreo existe uma grande área que inclui balneários completos para atletas e equipas de arbitragem, e um posto médico, que todavia não estão devidamente preparados para receber pessoas com deficiência motora e/ou mobilidade condicionada.

 5. Bens e Serviços

  • Os balneários são amplos e têm duas casas de banho adaptadas para pessoas com deficiência motora e/ou mobilidade condicionada (i.e. uma exclusivamente para homens e outra para mulheres);
  • O acesso ao interior da piscina do pavilhão pode ser feito por uma cadeira elevatória, que habitualmente facilita a entrada e saída a utilizadores com deficiência e/ou mobilidade condicionada, no entanto, a ajuda técnica alternativa geralmente mais favorável a este população heterogénea, e que esta piscina não possui, é uma rampa com barras de apoio laterais;
  • O acesso ao bar/restaurante e estruturas administrativas é acessível a pessoas com deficiência e/ou mobilidade condicionada.

 

 

 

Places4All: Porque existem espaços para todos.

18 Jun
Texto de Hugo Vilela (Fundador do Places4all)
Editado pelo Lisboa (In)Acessível

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Todas as localidades oferecem pontos de interesse e diferentes experiências de turismo e lazer, proporcionando simultaneamente condições aos seus residentes para que possam fazer a sua vida quotidiana.

No entanto, coloca-se a seguinte questão: será que as localidades garantem a mesma igualdade de oportunidades a todos os cidadãos, permitindo-lhes o usufruto de tudo o que oferecem?

Sendo certo que existe uma preocupação crescente em matéria de inclusão de todos os residentes e turistas, nomeadamente nas cidades, ainda há muito por fazer.

E quando se fala em Inclusão fala-se obrigatoriamente em Acessibilidade.

A maioria das pessoas têm condições de acessibilidade garantidas e por isso as atividades, serviços ou espaços são acessíveis no ponto de vista das mesmas. 

No entanto, existem pessoas com vários tipos de desafios de acessibilidade, como os relativos à mobilidade (como eu), visão, audição ou comunicação, que afetam o  seu grau de inclusão nessas experiências ou atividades.

Estas pessoas questionam-se frequentemente sobre o seguinte:

  • Quais são os espaços que apresentam as condições de acessibilidade mais adequados às minhas necessidades?
  • Onde se localizam? 
  • Que condições de acessibilidade oferecem?

Ou seja, existe falta de informação sobre os espaços mais acessíveis a todos, e embora as localidades e os seus espaços sejam atrativos, o grau de inclusão no seu usufruto varia de acordo com os desafios de acessibilidade apresentados por cada pessoa.

Foi com base neste problema crucial tão negligenciado pela sociedade, que afeta tantos cidadãos, e devido ao facto de eu próprio apresentar um desafio concreto de mobilidade o utilizar diário uma cadeira de rodas elétrica como forma de locomoção, que senti necessidade de encontrar uma solução eficaz, com elevado impacto social, e que ao mesmo tempo criasse emprego e fosse auto-sustentável. 

Esta solução materializou-se na criação do Places4All, um projeto de empreendedorismo social que tem como missão promover a garantia de igualdade de  oportunidades a todos os cidadãos no acesso aos espaços físicos.

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Na nossa visão, os espaços devem garantir o melhor grau de autonomia ao maior número de pessoas possível, especialmente às que apresentam qualquer um dos desafios de acessibilidade relativos à mobilidade, visão, audição ou comunicação, dispondo do maior número de condições de acessibilidade que permitam essa inclusão.

Como?

Porque sabemos que é possível existirem espaços para todos, o Places4All apresenta como fator diferenciador o facto de ser constituído por um Sistema de Avaliação, Classificação e Informação sobre as Condições de Acessibilidade em Espaços Físicos, que visa reconhecer, distinguir e divulgar informação dos espaços ou eventos com as melhores condições de acessibilidade e que garantem o maior grau de autonomia ao maior número de pessoas possível.

Para este efeito é realizada uma avaliação ao espaço, com a emissão imediata de um relatório com sugestões de melhoria, e a respetiva  classificação final, que corresponde ao grau de inclusão do espaço sujeito a apreciação. A todos os espaços reconhecidos e que cumprem com os critérios mínimos, será atribuído um dístico contendo a classificação resultante da avaliação, podendo ser disponibilizado no próprio local, em guias ou plataformas de turismo, no website Places4All, redes sociais, cartazes de eventos, entre outros. 

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Todo o processo de avaliação, classificação e informação é feito por equipas de consultores constituídas por pessoas com algum tipo de desafio de acessibilidade.

Este sistema inovador é direcionado para todos os espaços e eventos abertos ao público (i.e. espaços de alojamento, comércio, cultura e lazer, educação, restauração, saúde e prestação de serviços, e eventos associados a estes espaços) que queiram diferenciar-se na sua localidade pela implementação e uso de boas práticas de acessibilidade.

Até ao momento a Places4All já efetuou 2 avaliações; uma no Fórum de Empreendedorismo Social AMP 2020, organizado pela Área Metropolitana do Porto e pelo Instituto do Empreendedorismo Social, e a outra, no Teatro do Campo Alegre, estando já a iniciar o alargamento para as diferentes categorias na Cidade do Porto, e numa fase posterior a implementação em outras cidades, como por exemplo Lisboa.

Para obter informações mais detalhadas sobre o Places4All consulte o seu site: www.places4all.com

 

Acessibilidades da Cidade do Rock

11 Jun

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Este ano o Parque da Bela Vista em Lisboa foi palco da 6ª edição do Rock in Rio, coincidente com o 10º aniversário deste grande evento de música e entretenimento do mundo, nos dias 25, 29, 30 e 31 de Maio e 1 de Junho.

A causa das Acessibilidades foi o projeto social selecionado e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) a instituição escolhida pela organização, para facilitar a todos o acesso ao festival. A  SCML convidou a Associação Salvador a estar presente com um grupo de 100 pessoas com mobilidade reduzida.

Dentro deste contexto, duas das responsáveis do Lisboa (In)Acessível com mobilidade reduzida  foram ao festival de música de grande dimensão, no dia de 30 de Maio.

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Foi uma experiência única, com muito público, e que esperam, repetível – em que música e diversão se fundiram como nunca antes tinham visto.

Da observação e passeio pela cidade do Rock verificaram o seguinte em relação às condições de acessibilidade:

1. Estacionamento reservado

– Existência de estacionamento reservado para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida (com dístico), mesmo em frente à entrada principal;

– Os acompanhantes das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, cujo veículo não possuísse dístico, só podiam aceder à entrada principal da Cidade do Rock para tomada e largada de passageiros.

2. Voluntários

– Uma equipa de cerca de 50 voluntários – 33 da SCML e 15 do Rock in Rio – estiveram disponíveis para dar assistência aos festivaleiros com deficiência ou com mobilidade reduzida;

– Os voluntários disponibilizaram apoio, tanto ao nível da alimentação/bebidas, como noutras necessidades emergentes.

3. Shuttle da Santa Casa

– Cedência de transportes de ida e volta para as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida;

– O serviço era gratuito e funcionava de meia em meia hora a partir do Centro de Apoio Social de Lisboa, no número 64 da Rua do Açúcar;

– A chegada deste transporte era feita no estacionamento para indivíduos com deficiência ou com mobilidade reduzida, junto à entrada reservada para este efeito, no pórtico principal.

4. Interior do recinto do Rock in Rio

– Existência de duas plataformas da SCML com acesso para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida (PMR), uma junto ao Palco Mundo e outra junto ao Palco Vodafone, onde um acompanhante/PMR podia permanecer;

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– Todas as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida tinham também acesso a uma fila prioritária na Roda Gigante, no entanto, apesar do percurso ser acessível até à roda, a entrada para esta só era possível com a ajuda de voluntários ou pessoas amigas;

– Transporte disponível dentro do recinto em carrinhos de golfe, exclusivos para pessoas com mobilidade reduzida (exceto em cadeira de rodas). O ponto de partida fazia-se no pórtico da entrada principal do recinto;

– Transporte disponível dentro do recinto em shuttle adaptado e exclusivo para pessoas em cadeira de rodas e o ponto de encontro era junto do hospital;

– Duas casas de banho acessíveis incorporadas nas plataformas;

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A Invicta também nos é querida

21 Maio

No dia 10 de Abril de 2014, dois elementos da equipa Lisboa (In)Acessível estiveram presentes no III Fórum de Empreendedorismo Social, na Junta de Freguesia de Paranhos, Porto.

Foi uma experiência enriquecedora e agradável, viajar para uma cidade bastante criativa com um caráter hospitaleiro e conversador.
DSC06516Para começar apanhámos o comboio Alfa Pendular na estação do Oriente. Trata-se do serviço de topo da CP e também o mais acessível.

Podíamos ter solicitado o SIM (Serviço Integrado de Mobilidade), mas não o fizemos. Isto, apesar do período de solicitação do referido serviço ter diminuído de 48h para 24h. Queríamos ver como iria correr o embarque sem uma preparação prévia.

DSC06519Entrámos no comboio por elevador próprio, havia dois lugares para cadeiras de rodas e o WC era acessível. Não foi possível, no entanto, aceder ao bar, nem tão pouco circular entre as carruagens, pois os corredores não tinham espaço suficiente para cadeira de rodas.

O comboio não estava muito cheio, o que nos permitiu viajar juntas. A viagem durou aproximadamente três horas e meia, no entanto, pareceu durar o dobro do tempo. Chegámos ao Porto, mais propriamente à estação de Campanhã, por volta das 10h45. Em seguida fomos ao Metro comprar os bilhetes.

Fizemos o percurso compreendido entre as estações de Campanhã e Trindade. Depois mudámos de linha e apanhámos o Metro entre as estações de Trindade e Paranhos.

O trajeto da estação até à plataforma de embarque fez-se através de elevadores, os quais se encontrvam a funcionar perfeitamente. Estes possuem botões rebaixados. A aquisição do bilhete nas máquinas automáticas de venda são acessíveis, bem como o equipamento para validar o bilhete, à entrada e saída das estações.

 

DSC06537No acesso às carruagens não houve qualquer obstáculo, pois deparámo-nos com umas mini rampas fixas, que permitiam esse acesso de forma autónoma. Nas carruagens existiam lugares destinados a pessoas com mobilidade reduzida, nomeadamente a pessoas que se deslocam em cadeira de rodas. No entanto, verificámos que estas estações encontram-se desprovidas de qualquer tipo de sinalização visual, sonora e táctil, indicativa da posição de paragem da carruagem acessível ou, na ausência da mesma, da primeira carruagem.

Com isto tudo chegámos a Paranhos por volta das 11h00, fazendo a última parte do trajeto pelas ruas. Por fim, chegámos à Junta de Freguesia onde decorreu o Fórum. Foi uma caminhada fácil, pois as passadeiras estavam completamente niveladas com as estradas, o piso era alcatrão e, além disso, estava um dia bonito, cheio de sol e algum calor.

 

DSC06526O Fórum teve dois momentos distintos. O primeiro, que decorreu na parte da manhã, teve como objetivo proporcionar conhecimentos e experiências sobre o estado do empreendedorismo social. O segundo, no período da tarde, dedicado à Inovação Social e ao Hurry UP! – Concurso de Ideias de Empreendedorismo Social, i.e., em que os projetos finalistas do concurso apresentaram as suas ideias. Um dos projetos finalistas e que ficou em 2º lugar foi o Places4all “http://www.places4all.com/”. O Places4all tem como objetivo disponibilizar informação de forma imediata e intuitiva, facilitando a decisão das pessoas que valorizam a informação, especialmente pessoas com desafios de mobilidade, visuais, auditivos e cognitivos, sobre condições de acessibilidade em espaços físicos para a tomada de decisão, através do reconhecimento dos espaços com as melhores condições de acessibilidade.
DSC06524Após o término das apresentações e encerramento do Fórum, regressámos pelo mesmo caminho para apanharmos o Metro para a estação da Trindade e desta para a estação de Campanhã. Em Campanhã já estava tudo operacional para o regresso a Lisboa de comboio.

Lamentamos que esta aventura se tenha passado apenas num dia porque o Porto merece uns dias para ser desfrutado convenientemente, pois apresenta grandes condições de acessibilidade. Esperamos regressar brevemente. Neste momento sentimo-nos bastante gratas por esta experiência e é algo que recomendamos a todos/as os aventureiros/as, porque, tal como Fernando Pessoa uma vez escreveu: “Para viajar basta existir”.

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