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Olhar de Norberto Sousa sobre as acessibilidades em Lisboa

1 Out

Foto perfil de Norberto Sousa, a sorrir.

Norberto Sousa aceitou o nosso desafio de responder de forma pertinente a questões relativas às condições de acessibilidade em Lisboa.

Perfil de Norberto Sousa (NS)

Norberto Sousa é licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, inglês-alemão, formador e consultor de acessibilidade web e digital, a instituições como o Museu da Batalha e o Banco de Portugal. Tem um vasto Know-how nas áreas da informática e das tecnologias de apoio, diretrizes de acessibilidade WEB, plataformas de aprendizagem e ambientes virtuais, jogos e software acessível para pessoas com deficiência visual. Colabora no portal Lerparaver, no projeto Dosvox, e, é um dos fundadores do ComAcesso**. É membro do centro de investigação iACT do IPLeiria e colabora com o mesmo na análise de plataformas e conteúdos para o e-Learning; é um dos autores do artigo “Accessible e-learning – practices and research in the Polytechnic Institute of Leiria” apresentado no W3C, e, do “Guia de Produção de Materiais Digitais Acessíveis”, entre outros artigos científicos. Colaborou em vários projetos nacionais e europeus, nomeadamente o EU4ALL. Foi contemplado com o primeiro prémio internacional Onkyo Braille Essay Contest promovido pela EBU, entre outros prémios literários.

De uma forma geral como considera que são as condições de acessibilidade oferecidas pela capital?

NS – Muito más. Excluindo alguns locais, onde são respeitadas algumas normas de acessibilidade, continuamos a encontrar passeios totalmente ocupados por automóveis e por objetos que dificultam a mobilidade de todos; continuamos a construir edifícios/espaços públicos, comerciais e privados sem pensarmos na acessibilidade. Resumindo, continua a haver falta de organização urbana, de fiscalização, de civismo e de sensibilidade.

Quer fazer algum paralelismo em relação ao tipo de condições encontradas na Madeira, sua localidade de origem?

NS – Nas zonas urbanas da Madeira notei uma grande melhoria na acessibilidade dos espaços públicos. Talvez por haver maior proximidade dos autarcas da população e consequentemente uma maior abertura para ouvir as sugestões das pessoas têm sido eliminados alguns pontos com problemas de acessibilidade.

Como residente na Grande Lisboa, quais são as dificuldades pessoais que encontra no seu dia-a-dia, como consequência, directa ou indirecta, das barreiras existentes relativamente à acessibilidade (espaços/serviços/atitudes)? Pode descrever estas dificuldades e barreiras?

NS – As maiores dificuldades são pilaretes colocados indevidamente no meio dos passeios e de passadeiras; automóveis, bocas de incêndio e sinalização, obras não sinalizadas que dificultam ou impedem a passagem nos passeios e por vezes dão mesmo origem a pequenos acidentes; semáforos sem sinal sonoro e muitos outros objetos, como caixotes do lixo, que são colocados em qualquer sítio. Há ainda os buracos provocados pelo estacionamento indevido dos automóveis, caixas de eletricidade, esplanadas sem delimitação e outros objetos com publicidade de espaços comerciais. Sair à rua em Lisboa é uma verdadeira aventura, uma gincana com barreiras novas a cada minuto!

Estas dificuldades condicionam a sua vida diária? Como? Deixa de ir a determinado local, recorrer certos serviços, realizar tarefas ou exercer os seus deveres e direitos de cidadania porque por causa de entraves à acessibilidade (por exemplo, participar nos actos eleitorais)?

NS – Sendo cego, as barreiras que apontei não me impedem de fazer as minhas tarefas diárias, mas limitam a sua realização em plena normalidade e provocam grande instabilidade emocional pois é sempre uma incógnita quando vou magoar-me, sujar-me ou perder-me no trajeto porque tive de fazer algum desvio por causa de uma barreira nova.

Na sua opinião, quais seriam as prioridades a adoptar na cidade de Lisboa ao nível das acessibilidades, nomeadamente em relação às condições oferecidas aos cidadãos cegos ou com baixa visão?

NS – Fiscalizar para eliminar espaços comerciais que eram estacionamento de edifícios e que tiveram como consequência a ocupação dos passeios por automóveis; reorganizar os passeios criando-se espaço exclusivo para passeio e, onde isso fosse possível, espaço para estacionamento; legislar para que a calçada portuguesa fosse utilizada apenas em zonas históricas ou no máximo em redor de edifícios públicos importantes, dado que este tipo de pavimento provoca grande reflexo de luz, provoca acidentes por ser muito escorregadio e por ser muito instável, quer devido à sua irregularidade, quer devido aos buracos que surgem com frequência. Reorganizar o mobiliário urbano e criar condutas de recolha de lixo com pontos fixos para que os passeios sejam sinónimo de verdadeira mobilidade livre e segura.

Assume algum papel interventivo na melhora das condições de acessibilidade em geral, e em particular na cidade de Lisboa?Se sim, qual?

NS – Na área da acessibilidade física, como cidadão ativo, tento informar as autarquias ou outras entidades competentes quando encontro alguma barreira de acessibilidade ou barreiras perigosas. Infelizmente a falta de sensibilidade e de abertura de alguns responsáveis e falta de fiscalização das entidades competentes faz com que os problemas de acessibilidade não sejam resolvidos por mais simples que sejam. E, assim, a inacessibilidade e a falta de civismo em Portugal continua.Na área da acessibilidade digital, sou consultor de acessibilidade Web e digital e tento sensibilizar e incentivar as instituições, empresas e particulares a desenvolverem Sites e produtos digitais acessíveis ao maior número de pessoas.

**www.comacesso.pt

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Viver em Lisboa é uma aventura!

17 Set

Testemunho de vida

Texto escrito por Carla Oliveira & 
Editado por Lisboa (In)Acessível

Carla Oliveira sentada na sua cadeira de rodas, num jardim,  de frente para a foto.

O meu nome é Carla Oliveira e tenho 38 anos.

Estou a terminar uma Licenciatura em Contabilidade e Administração e ao mesmo tempo estou a trabalhar num call center em part-time para conseguir suportar as despesas.

Ando de cadeira de rodas eléctrica porque nasci com Osteogénese Imperfeita (mais conhecida por Doença dos Ossos de Vidro).

Viver em Lisboa não é propriamente um mar de rosas nem tão fácil como possa parecer.

Digo isto porque vivo diariamente na pele o que é precisar de ir a qualquer lado e ter de sistematicamente planear e escolher qual o caminho ou o transporte que preciso tomar para conseguir chegar ao meu destino, algo  com que as pessoas ditas “normais” não têm de se preocupar.

Se for “a pé” (cadeira de rodas) tenho de conhecer primeiramente o caminho para saber se posso ir por ai; se posso ir pelo passeio e se este tem condições para mim (se é rebaixado, se não tem buracos ou pedras soltas, se não é inclinado, se não tem obstáculos), ou se sou obrigada a ir pela estrada sujeita às velocidades dos carros e ter um acidente, ou, às palavras, atitudes e comportamentos menos próprios dos condutores.

Se for de transportes públicos estou sempre condicionada porque nem todos são acessíveis. Os auAutocarro da carris com a rampa de acesso aberta para o exterior.tocarros da Carris, mesmo os acessíveis,  colocam-me em permanente sobressalto devido às avarias constantes das suas rampas, que me fazem perder tempo e chegar atrasada. Se quero viajar de metro estou limitada às estações que têm elevadores – que infelizmente são ainda muito poucas – constantemente avariados devido ao uso abusivo por parte de quem deles não necessita, e sou obrigada a ter que pedir ajuda aos operadores, o que não me permite ser independente. Além disso, para falar com os operadores tenho que  carregar num botão localizado a uma altura consideravelmente alta para quem está sentado numa cadeira de rodas, e que está frequentemente avariado – o que me impede de usufruir desse apoio, e em certas estações, os operadores não estão do lado onde preciso de ajuda.

 

Quando finalmente chego ao cais da estação deparo-me com a entrada limitada para a carruagem do metro, devido ao grande distância e desnível existentes entrUma pessoa em cadeira de rodas entra numa carruagem do metro, auxiliada por  pessoa que a empurra. e a plataforma e a carruagem. Todas estas situações anteriormente descritas me reduzem à dependência…

Para além de todas estas dificuldades que encontro ao deslocar-me nos transportes (e possivelmente não referi todas), existe ainda um grande obstáculo chamado ser humano, que faz questão de frequentemente me desrespeitar quer em palavras quer em atitudes, ao ocupar o lugar que me é reservado (no caso da carris) e a dar encontrões na cadeira, e, se chamo a atenção, dizem-me que “quero o autocarro todo para mim” e começam a ofender-me…

Outra barreira constrangedora é o acesso aos espaços físicos. Quantas vezes não posso aceder às lojas, serviços, casas, etc., porque têm degraus à entrada e no seu interior; porque até têm elevadores mas nestes não cabe a minha cadeira de rodas; porque têm o espaço demasiado estreito… enfim, muitos e variados são os impedimentos para quem tem mobilidade reduzida. E por isso, tal como referi no título deste artigo, viver em Lisboa é uma aventura, por vezes bem amarga.Carla Oliveira a tomar um copo com uma amiga.

Apesar de todos estes contratempos considero-me uma pessoa sortuda porque saio bastante de casa e tento fazer a minha vida o mais normal possível. Infelizmente existem muitas outras pessoas que nem de casa podem sair…

Para mim estas barreiras só servem para me tornarem mais forte e me darem mais coragem para seguir em frente, por isso, deixo-vos aqui o testemunho do meu dia-a-dia em Lisboa juntamente com um conselho: NUNCA DESISTAM DE LEVAR AS VOSSAS VIDAS PARA A FRENTE, por mais obstáculos que vos apareçam no caminho. EU NUNCA DESISTO!

Carla Oliveira

Boas Práticas de Turismo Acessível

23 Jul

Uma das dinamizadores deste blogue, a Madalena Brandão, que tem mobilidade reduzida e está sentada na sua cadeira de rodas) e o Renato Farinha da Associação Salvador, que aparece ao seu lado. Os dois estão a posar felizes  para a foto, vestidos com os fatos especiais para realizar salto tandem (saltar de uma avioneta a muitos metros de altitude).

«A acessibilidade é um elemento central de qualquer política de turismo responsável e sustentável. Constitui simultaneamente um imperativo dos direitos humanos e uma oportunidade de negócio excepcional. Acima de tudo, temos que começar a compreender que o turismo acessível não beneficia apenas as pessoas com deficiência ou com necessidades especiais, beneficia-nos a todos». 

Taleb Rifai, Secretário-Geral da Organização Mundial de Turismo (OMT)

 

No passado dia 10 de Julho, as três dinamizadoras do Lisboa (In)Acessível  marcaram presença na reunião informal sobre Turismo Acessível e Inclusivo em Portugal (TAIP), realizada na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa (Estrela), entre as 14h30 – 18h30.

Esta iniciativa surgiu a partir de um encontro informal de vários players deste sector, ocorrido na BTL – Feira Internacional de Turismo´2014, e teve a colaboração técnica do Turismo de Portugal.

A reunião foi idealizada com o objectivo de contribuir para o desenvolvimento e expansão deste sector em Portugal, dando a conhecer a existência de diferentes pessoas e entidades públicas e privadas a actuar neste mercado em franca expansão, e pretendendo a construção de pontes e parcerias entre as mesmas.

Estiveram reunidas mais de 60 pessoas,  a título pessoal ou em representação de uma entidade, de entre mais de 40, de variadas áreas de actuação e zonas do país –  Agenciamento; Animação Turística; Transportes; Alojamento; Restauração e bebidas; Formação Profissional; Educação; Planeamento Territorial; Autarquias; Consultoria; Associações; Reabilitação; AVD’s; Produtos de Apoio; de Lisboa, Porto, Santa Maria da Feira, Batalha, Algarve e Funchal.

Os presentes foram convidados a apresentar a sua entidade e/ou o seu papel enquanto actores do Turismo Acessível e Inclusivo, e alguns destes aproveitaram a ocasião para o estabelecimento de co-parcerias no sentido de se potenciarem a nível nacional e europeu.

Através deste frutuoso colóquio informal pudemos aperceber-nos da quantidade e diversidade de entidades existentes nesta área, e do óptimo trabalho que tem vindo a ser feito no sentido de melhorar as condições para o usufruto das actividades e espaços turísticos por parte de pessoas com necessidades específicas, antevendo assim uma óptima rampa de lançamento para um futuro breve.

Das entidades que se deram a conhecer destacamos as seguintes pela sua diferenciação, inovação e utilidade: 

  • Cultur´friends: Serviço de rent a car especializado no transporte de pessoas com mobilidade reduzida; inclui também os serviços de aluguer de cadeiras de rodas e scooters eléctricas, acompanhantes especializados, e, a organização de viagens e eventos que promovam o direito ao lazer e à cultura deste público-alvo.  
    • Site: http://tinyurl.com/p52eduh
    • Facebook: http://tinyurl.com/kqehhhr
  • Waterlily: Empresa de animação turística que promove actividades de lazer e disponibiliza acompanhamento especializado para populações com necessidades especiais, na área do Grande Porto.
  • Cerveira Park – Glamour Nature Village: Espaço de Hotelaria caraterizado pela sustentabilidade e óptimas condições de acessibilidade, em Vila Nova da Cerveira (Minho).
  • Município de Santa Maria da Feira: Oferece uma vasta gama de serviços turísticos acessíveis de qualidade.
    • Site: http://tinyurl.com/ntbc7vp
    • Facebook: http://tinyurl.com/pgsw7ka
  • CampintegraAssociação sem fins lucrativos que tem como objectivo a integração sócio-profissional de pessoas com experiência de doença mental e/ou em desvantagem psicossocial, visando o desenvolvimento sustentado (Económico, Social e Ambiental) de actividades de gestão em hotelaria e eco-turismo.
  • Fundação Inatel: Fundada em 1935 é hoje tutelada pelo Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, afirmando-se como uma instituição prestadora de serviços sociais.Desenvolve actividade nas áreas do turismo social e sénior, do termalismo, da organização dos tempos livres, da cultura e do desporto populares, com profundas preocupações de humanismo e de qualidade.

Após este encontro realizámos uma pesquisa online onde verificámos a real existência de progressos significativos nos últimos anos nesta área do turismo acessível materializados por um conjunto de boas práticas que em seguida explicitamos: 

  • Conferência “Mind the Accessibility Gap” da Comissão Europeia sobre Turismo Acessível na Europa: principais conclusões (Junho 2014): http ://tinyurl.com/lhth2qq

Gulbenkian & Oceanário

16 Jul

Quer saber quais são as condições de acessibilidade que pode encontrar  na Fundação Calouste Gulbenkian e no Oceanário de Lisboa?

Então, este POST foi feito a pensar em si!

No passado dia 5 de Julho pudemos verificar estas condições, com grupo de estudantes de Gestão do Lazer e Animação Turística, da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril e, as informações que em seguida veiculamos foram inteiramente retiradas do seu relatório curricular “Turismo sobre Rodas – Um estudo”, elaborado no âmbito da cadeira  “Planeamento e Gestão em Actividades para Populações Especiais (PGAPE)”, que nos foi gentilmente cedido, e que se encontra disponível na íntegra para consulta e download na nossa secção “Documentos TOP +” [Ler Nota I no final deste POST].

Acessibilidades da Gulbenkian

Vista do exterior da Fundação Calouste Gulbenkian. Num primeiro plano a estátua do fundador e do símbolo da fundação (uma águia), e por detrás visiona-se parte do edifício sede rodeado por árvores dos jardins.

 1. ACESSO E ESPAÇO EXTERIOR

a) Estacionamento

Existe estacionamento prioritário, e este satisfaz as normas de acessibilidade em quantidade e qualidade.

b) Sinalização

A sinalização utiliza caracteres e simbologia adequados, cores e contrastes adequados e material da superfície sinalética adequado. No entanto, poderia ser mais abundante e incluir direcções para as instalações sanitárias mais próximas, bem como indicação de se estas são ou não acessíveis.

c) Passeios e caminhos de peões

O percurso desde a estação de metro mais próxima é longo e não é ideal para pessoas com mobilidade reduzida. O espaço exterior dentro do recinto da Fundação tem piso irregular e não inclui um percurso acessível por toda a sua área; no entanto, já existe um percurso acessível por parte dos jardins, e este satisfaz as normas de acessibilidade.

2. CIRCULAÇÃO INTERIOR

a) Piso

Uma parte significativa do piso no edifício central é alcatifado, o que dificulta ligeiramente a deslocação em cadeira de rodas e é um potencial alergénico.

b) Portas

As portas utilizadas na circulação pelos espaços para fins de lazer cumprem as normas de acessibilidade quanto às dimensões e visibilidade. No entanto, algumas das portas de utilização mais crucial não são manuseáveis por populações de mobilidade reduzida sem intervenção externa por serem demasiado pesadas.

c) Balcão de Atendimento

São rebaixados e satisfazem as normas de acessibilidade.

d) Instalações Sanitárias

Cumprem alguns dos requisitos mínimos, nomeadamente arquitectónicos, mas nem todas têm o cordão de alarme funcional e a sua localização não está sinalizada em várias partes do edifício. Não é possível o acesso directo e autónomo às instalações sanitárias dentro do edifício central (i.e. este acesso tem que ser feito com o apoio e indicações dos prestáveis seguranças de serviço).

SÍNTESE

↑ Pontos Fortes

As instalações estão preparadas para receber populações com mobilidade reduzida, com dificuldades visuais e dificuldades auditivas. Os recursos humanos da Fundação estão preparados para dar resposta a solicitações de assistência e antevêem situações adversas, possibilitando a superação de obstáculos arquitectónicos.

↑ Aspectos a Melhorar em Prol da Acessibilidade

Impasse burocrático requer criatividade e sensibilidade na implementação de acessibilidades físicas. O acesso pedonal desde a estação de metro acessível mais próxima (S. Sebastião) até ao recinto pode ser melhorado, nomeadamente através da possibilidade de entrada no recinto e circulação em percurso acessível no mesmo por uma ou mais entradas secundárias. O piso no espaço exterior da fundação é irregular, podendo este aspecto ser melhorado através da criação de um percurso acessível em piso regular.

 

Acessibilidades do Oceanário

Vista exterior do edifício do Oceanário de Lisboa.

1. ACESSO E ESPAÇO EXTERIOR

a) Estacionamento

Não existe estacionamento próprio do Oceanário, sendo que o estacionamento que serve as instalações encontra-se a uma distância significativa da entrada principal do espaço. O Oceanário preenche esta lacuna ao facilitar a permissão de paragem de veículos de grupos com mobilidade reduzida perto da bilheteira.

b) Sinalização

A sinalização utiliza carateres e simbologia adequados, cores e contrastes adequados e material da superfície sinalética adequado, sendo exemplar sobretudo no espaço da exposição permanente.

c) Passeios e caminhos de peões

O metro, com saída na estação de metro do Oriente, e algumas carreiras da carris, nomeadamente o 744 são os transportes públicos acessíveis que servem o Oceanário de Lisboa. O percurso desde estes transportes até ao Oceanário é longo e não é o ideal para pessoas com mobilidade reduzida, visto que o piso é irregular.

2. CIRCULAÇÃO INTERIOR

a) Piso

Uma parte significativa do piso no espaço da exposição permanente é alcatifado, o que dificulta ligeiramente a deslocação em cadeira de rodas e representa um potencial alergénico.

b) Portas

As portas utilizadas na circulação pelos espaços para fins de lazer cumprem as normas de acessibilidade quanto às dimensões. No entanto, algumas das portas de utilização mais crucial (nomeadamente de acesso a instalações sanitárias) não são manuseáveis por populações de mobilidade reduzida e implicam a necessidade de intervenção de terceiros.

c) Balcão de Atendimento

O balcão da bilheteira não é rebaixado, mas existe a possibilidade de recorrer ao balcão de atendimento ao visitante, adjacente à bilheteira.

d) Instalações Sanitárias

Cumprem a maior parte dos requisitos de acessibilidade, no entanto, o  acesso autónomo às instalações sanitárias dentro do edifício central é dificultado pelo por as portas serem um pouco pesadas. As casas de banho acessíveis no espaço da exposição permanente não têm cordão de alarme e as barras de apoio não estão totalmente funcionais.

SÍNTESE

↑ Pontos Fortes

As instalações estão preparadas para receber populações com mobilidade reduzida, com  dificuldades visuais e dificuldades auditivas, e a sua circulação autónoma por todo o espaço de exposição permanente está assegurada.

↑ Aspectos a Melhorar em Prol da Acessibilidade

Será necessário efectuar com a maior brevidade possível a colocação de cordões de emergência, e uma correcta recolocação das barras de apoio,  nas casas de banho acessíveis no espaço da exposição permanente, com vista à garantir de segurança dos utentes.

O Oceanário de Lisboa poderia disponibilizar um mapa de relevo apropriado para que as populações com dificuldades visuais pudessem entender a disposição do espaço do Oceanário.

RESULTADO DAS AVALIAÇÕES 

Em resultado da análise realizada aos dois espaços, o grupo de trabalho considera a Fundação Calouste Gulbenkian e o Oceanário de Lisboa acessíveis, na medida em que permitem uma utilização autónoma do seu espaço por parte dos visitantes, numa perspectiva de lazer.

NOTA I:

Também pode fazer directamente download destes documentos através dos seguintes links:

 

 

 

Turismo Sobre Rodas

2 Jul

Quatro alunos universitários e as três raparigas do Lisboa Inacessível

Um grupo de cinco alunos finalistas do curso de Gestão do Lazer e Animação Turística, da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, decorrente de uma reunião com a Associação Salvador e por indicação desta, desafiou as três dinamizadoras do Lisboa (In)Acessível a acompanhá-los numa visita turística à Fundação Calouste Gulbenkian e ao Oceanário de Lisboa, no dia 5 de Junho de 2014.

A visita foi organizada por estes estudantes no âmbito de uma avaliação curricular da disciplina de Planeamento e Gestão em Atividades para Populações Especiais (PGAPE), e tinha como principal objectivo a concepção e avaliação de um percurso e programa turísticos acessíveis a pessoas com mobilidade reduzida.

Para este efeito os universitários construíram uma grelha de observação e avaliação das condições de acessibilidade, que foi sendo preenchida ao longo da visita,  de acordo com critérios e categorias de acessibilidade baseados no Guia de Mobilidade e Acessibilidade para Todos, de 2007,especialmente concebido para facilitar uma melhor interpretação  do DL 163/2006 de 8 de Agosto (que regula as normas técnicas de acessibilidade física).

Um dos rapazes do grupo preenche a ficha de avaliação das acessibilidades

O grupo Lisboa (In)Acessível foi convidado a participar devido à sua experiência pessoal e de trabalho em matéria de acessibilidades, sendo mais uma voz crítica na hora da avaliação dos espaços turísticos.

O dia de visita começou pelas 10h00 com uma reunião no edifício Sede da Gulbenkian, liderada pela Dr.ª Maria João Botelho, Directora-Adjunta dos Serviços Centrais, que apresentou os progressivos esforços e acções desenvolvidas ao longo do tempo pela fundação ao serviço da melhoria das condições de acessibilidade, com destaque para as mais recentes alterações, nomeadamente:

√  Um percurso acessível, a pessoas com mobilidade reduzida, nos jardins;

√  Rampas de nível para aceder ao Grande Auditório;

√  Guias orientadoras para pessoas cegas ou com baixa visão, no piso, desde a porta principal até à recepção/bilheteira;

√  Novas wc´s adaptadas no interior do edifício principal;

√  O aumento do corpo de letra da sinalética.

Em seguida, o grupo foi conduzido para o edifício do Museu por uma guia especializada, com quem tiveram o privilégio de conhecer a exposição “Paisagem – Espaço Rural e Espaço Urbano”, sobre algumas peças de arte pertencentes ao espólio permanente do Museu Gulbenkian. O acesso ao museu é feito por duas rampas com uma inclinação muito elevada, o que no caso de pessoas que se desloquem em cadeira de rodas manuais só é possível ultrapassar com a ajuda de terceiros. Se forem utilizadores de cadeiras eléctricas conseguem subir e descer a rampa mas a descida pode provocar-lhes algum receio.

A Madalena do Lisboa Inacessível sobe uma das rampas inclinadas de acesso ao museu

Durante o trajecto entre o edifício sede e o edifício do Museu foi possível verificar um pormenor interessante e positivo de acessibilidade recentemente introduzido, e que havia passado despercebido a todo o grupo – uma campanha junto à rampa de acesso para os visitantes com mobilidade reduzida, com a finalidade de estes poderem pedir apoio para atravessar a rampa, aos funcionários da Gulbenkian. Apesar deste dispositivo estar sinalizado com uma imagem de uma campainha e da palavra “Assistência” em português e em inglês, o facto de ter passado despercebido a todo o grupo é um sinal de alerta para a forma como a sua sinalização está construída. A nosso ver esta campanha deveria ter maiores dimensões e os grafismos identificativos deviam ser constituídos por cores mais contrastantes entre si, para atingir a finalidade a que se propõe.

Sinalética indicativa de campainha para pedido de assistência por parte de pessoas com mobilidade reduzida

O grupo deslocou-se a pé desde a Gulbenkian até à estação de metro de S. Sebastião (onde é feita a intersecção entre as linhas azul e vermelha), e realizou tranquilamente, sem entraves à acessibilidade, o trajecto directo (sem mudança de linha) até à estação do Oriente (pertencente à linha vermelha); almoçou no C.C. Vasco da Gama (onde as condições básicas de acessibilidade estão garantidas), e perfez o breve percurso desde o centro comercial até ao Oceanário também a pé.

A Carina do Lisboa Inacessível  passa o bilhete de metro no acesso reservado a pesoas com mobilidade reduzida.

No oceanário a visita foi feita de forma independente, sem o recurso a um/a guia, por vontade e decisão conjunta do grupo, que dispensou uma visita guiada por já conhecer o espaço e as suas exposições.

No entanto, antes de começar a visita o grupo fez questão de pedir permissão para experimentar a funcionalidade do alarme de uma das wc´s adaptadas do espaço. O grupo pôde assim comprovar que o alarme estava a funcionar, que era facilmente accionável, e que o segurança respondeu imediatamente a esta solicitação deslocando-se ao local, verificando que estava tudo bem e desactivando o alarme.

A visita ao Oceanário decorreu com normalidade e entusiasmo, sem que o grupo e nomeadamente as duas raparigas com mobilidade reduzida tivessem que ter recorrido a qualquer ajuda de terceiros.

Os cinco universitários divertem-se no espaço exterior do oceanário a tirar uma foto num placar onde colocam a sua cara.

FIQUE ATENTO!

Num próximo post iremos abordar em maior detalhe as condições de acessibilidade encontradas durante esta visita, com base no relatório curricular desenvolvido pelos exemplares alunos universitários que a organizaram.

Até lá, fica desde já a saber que recomendamos este roteiro cultural lisboeta, pelas boas (embora ainda não perfeitas!) condições de acessibilidade que apresenta.

 

 

 

 

Apoiar a selecção nacional!

4 Jun

montagem 1

No passado dia 31 de Maio, a M. e a F. foram assistir a um jogo de preparação para o Mundial de Futebol´2014, entre Portugal e a Grécia, no Estádio Nacional do Jamor. A M. responsabilizou-se imediatamente por comprar o bilhete para o jogo, porque sabia que como é uma pessoa com mobilidade reduzida (PMR) podia comprar o bilhete por 10€, e levar um acompanhante a custo zero. Para efectuar esta compra teve que enviar antecipadamente um email para o contacto geral da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), info@fpf.pt, indicando o seu nome e email, e esperar em seguida pela confirmação dos bilhetes, uma vez que existe um número limitado de lugares reservados a PMR no Estádio Nacional. A FPF respondeu-lhe através do email bilhetes@fpf.pt, confirmando a reserva de dois bilhetes, pedindo-lhe que enviasse o Atestado de Incapacidade, que comprova que é uma PMR, e perguntando se precisava de lugar de estacionamento para o carro.

Os bilhetes poderiam ser levantados e pagos no dia anterior ou no dia do jogo nas bilheteiras do Estádio Nacional. Se a M. não fosse uma PMR poderia comprar o bilhete de forma directa e imediata via online através do site da FPF, ou presencialmente nos balcões de assistência ao cliente do Continente (que não vende bilhetes para PMR!).

Assim, simultaneamente em forma de contestação e sugestão, perguntamos à FPF: 

«Será possível num futuro próximo venderem os bilhetes para as PMR na vossa bilheteira online e nos balcões do Continente?»

O vosso site poderia possuir a faculdade de indicar o número total de bilhetes destinados a PMR, bem como o número de bilhetes disponíveis conforme as vendas efectuadas e, o Atestado de Incapacidade poderia ser anexado directamente no acto da compra, sem necessidade da troca sucessiva de emails e da ansiedade gerada pela não garantia antecipada de bilhete, devido ao número limitado de lugares reservados a PMR.

A M. e a F. foram para o Estádio Nacional no carro da M., guiado sempre pela própria, e dirigiram-se para o parque de estacionamento previamente indicado pela FPF, junto às piscinas do Jamor, depois de a M. indicar aos polícias de trânsito e a uma voluntária da federação a sua prioridade como PMR e o seu nome constante da lista de PMR com direito a estacionamento reservado para o efeito. Depois de o carro estar estacionado, a M. e a F. encaminharam-se para um autocarro adaptado que a empresa Accessible Portugal disponibilizou à FPF para levar os adeptos com mobilidade reduzida e respectivos acompanhantes, desde as piscinas do Jamor até ao estádio (http://www.acessibleportugal.com).

Durante este trajecto um responsável e uma voluntária da FPF acompanharam as PMR no autocarro, e se assim o necessitassem no processo de levantamento e pagamento dos bilhetes, bem como no transporte das pessoas desde as bilheteiras até ao estádio. A M. e a F. decidiram ir levantar os bilhetes e dirigir-se para o estádio autonomamente. Na fila de acesso à bilheteira, um casal gentilmente alertou para o facto da M. ter prioridade na fila e assim, deixaram passar à sua frente e pediram às outras pessoas na dianteira para fazer o mesmo. Com os bilhetes na mão dirigiram-se à entrada prioritária das PMR e dos VIP´s indicada por um polícia, e entraram no estádio onde observaram a existência de rampas de acesso à zona reservada a PMR e seus acompanhantes, bem construídas e, uma WC portátil adaptada  (de maiores dimensões que as restantes, não adaptadas). Verdade seja dita que as rampas com que primeiro se depararam foram as colocadas à sua esquerda, de difícil acesso, mas depois de uma observação mais cuidada perceberam que as rampas de acesso preferencial eram as colocadas à sua direita.

montagem 2 - imagem 3

A zona reservada a PMR é localizada na primeira fila do estádio, a mais próxima do campo, do lado contrário à tribuna principal, e é constituída por um estrado de madeira suficientemente comprido e largo para ser ocupado e permitir a movimentação de umas 15 pessoas com mobilidade reduzida e seus acompanhantes, e algumas cadeiras amovíveis dispostas em fila para quem delas necessitar de usufruir. Tal como a maior parte das bancadas do estádio, esta zona não tem cobertura protectora das intempéries da chuva, vento ou sol forte, assim, a primeira parte do jogo foi assistida com sérias dificuldades de visibilidade ocasionadas pela coincidência com o horário do pôr do sol. Esta inquietação com a falta de visibilidade foi um pouco acalmada quando a organização ofereceu uma garrafa de água a cada adepto presente naquela zona.

montagem 3 - ultima imagem

Apesar de ter sido um fraco desafio de futebol, valeu  a pena pelo convívio e pela constatação da existência de condições favoráveis de acessibilidade para as PMR no Estádio Nacional.

 

O Direito a Compreender

30 Abr

Uma foto a preto e branco de uma criança com os cotovelos apoiados e mãos no queixo, com ar pensativo.

 

Uma das maiores frustrações que um ser humano pode enfrentar é não perceber o que lhe é dito, ou aquilo que lê.

E não são só as pessoas com pouca instrução, ou pessoas com dificuldades de aprendizagem ou deficiência mental que NÃO entendem os textos de vida corrente, como as cartas das finanças, dos bancos ou da conta da electricidade, uma notícia de um jornal, o folheto informativo de um medicamento, ou o texto presente numa exposição cultural.

 

Como resolver este grave problema de grande parte da população portuguesa?

A solução passa por utilizar uma linguagem simples.

 

Porquê utilizar uma linguagem simples?

A informação simples, logo, acessível, ajuda as pessoas a saberem aquilo que precisam.

Ajuda-as a decidir e a fazer escolhas. Se as pessoas não recebem informação de qualidade, ficam excluídas. Não vão poder participar em muitas actividades. E vão depender de outras pessoas para fazer escolhas ou decidir por elas, perdendo a sua independência.

Produzir  informação fácil de ler e de perceber, é produzir informação de qualidade.

 

Informação acessível = Informação fácil de ler e de entender

 

Assim, para conseguirmos atingir o objectivo de escrever de uma forma simples e compreensível, devemos tentar seguir as seguintes orientações, relativamente ao texto e ao design:

  • Informe-se o mais possível sobre as pessoas que vão usar a informação que está a fazer e sobre as suas necessidades. Assim vai utilizar sempre a linguagem certa para as pessoas que vão ler a sua informação. Por exemplo, não use linguagem infantil se a informação for para adultos.
  • Escolha o melhor formato para sua informação. Por exemplo, a informação num CD ou num DVD pode ser mais fácil de entender do que a informação escrita.
  • Não se esqueça que as pessoas que vão usar a informação podem não saber muito sobre o assunto. Assim, deve explicar o assunto de forma clara e explicar as palavras mais difíceis que precisa de usar.
  • Não use palavras difíceis. Se precisar de usar palavras difíceis, explique-as.
  • Use exemplos para explicar as ideias ou palavras. Tente usar exemplos que as pessoas possam relacionar com a sua vida do dia-a-dia.
  • Use sempre a mesma palavra para descrever a mesma coisa em todo o documento.
  • Não use palavras de outras línguas, a não ser que sejam palavras técnicas ou muito conhecidas, como por exemplo, a palavra inglesa “CD-ROM”.
  • Evite usar iniciais ou abreviaturas. Se precisar de usar iniciais, explique-as. Por exemplo, se escrever “ONU”, explique que quer dizer “Organização das Nações Unidas”.
  • As percentagens (63%) e os números muito grandes (1.758.625) são difíceis de perceber. Evite usar percentagens e números muito grandes. Use palavras como “muito” ou “pouco” para explicar o que quer dizer.
  • Um texto é melhor lido se estiver alinhado à esquerda (exemplo: o presente texto está escrito com este tipo de alinhamento)
  • Use uma letra que tenha um tamanho visível para pessoas com maiores dificuldades visuais, e um tipo de letra com uma forma de fácil leitura visual.
  • Tenha em atenção as cores da letra e do fundo do texto (é fundamental que exista contraste entre cor da letra e a cor do fundo).

 

Uma forma de testar se o seu texto está escrito e é lido de uma forma simples e compreensível é pedir a pessoas com capacidades e experiências diferentes, individualmente e em grupo, para lerem o texto.

Se quiser saber mais acerca deste tema:

 

  • Leia o documento “Informação para todos. Regras Europeias. (2013)” presente no lado direito do nosso blogue, na secção “DOCUMENTOS TOP+”.
  •  Assista à intervenção  ” O direito de compreender “, de uma das grandes especialistas portuguesas sobre linguagem simples, Sandra Fisher-Martins, fundadora da empresa “Português Claro” que também convidamos a conhecer através do seguinte site http://portuguesclaro.pt/.
   

 

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