Tag Archives: Acessibilidade Pedonal

Carrinhos de bebé em Lisboa – Testemunho de uma mãe –

11 Nov

Imagem estilizada a preto de mãe a empurrar um carrinho de bebé e a transportar outro bebé às costas.

Texto: Ana Naiker | Edição: Lisboa (In)Acessível

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A Ana tem 35 anos e nasceu em Lisboa, onde viveu até Junho de 2015. Actualmente vive em Guilford, e estuda no Guilford Collegue. Tem dois filhos rapazes, um de dois anos e outro de um.

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«Como mãe andar com os carrinhos de bebés pelas ruas de Lisboa sempre foi uma aventura!

As ruas não estão minimamente preparadas para esse efeito, sempre sofri imenso porque os passeios são muito altos e nem sequer existe uma parte mais baixa para subir nem descer.

Várias vezes me questionei se seria a única pessoa com essa dificuldade, mas na altura falei com muitos amigos que também já tinham tido algumas experiências menos boas.

Já não basta o facto de termos um bebé que queremos proteger de todos os perigos, e ainda temos que estar sujeitos aos tombos, por causa das ruas que estão cheias de buracos ou das ruas que não estão acabadas e daquelas em que nem existe espaço para passar com o carrinho – porque os carros utilizam todos os espaços possíveis e imaginários.

Ninguém pensa nas pessoas que diariamente usam as ruas e quais as suas dificuldades. É triste, mas sempre encontrei dificuldades nos passeios e houve mesmo ocasiões em que tive de pedir ajuda a estranhos.

Enfim, a minha experiência não é a melhor, mas o pior é que nada mudou desde que tive o meu segundo filho, e continuo com os mesmo problemas com o carrinho, no entanto, já adoptei técnicas que me ajudam a ultrapassar os obstáculos mais facilmente.»

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LONDRES

30 Mar

Uma cidade com passeios “de se lhe tirar o chapéu”!

Fotografia que mostra em destaque uma estátua do urso Paddington, um personagem clássico da literatura infantil do Reino Unido, com a sua gabardine amarela, a carregar do lado esquerdo a sua pasta amarela, e do lado direito a tirar o seu chapéu também amarelo. Ao redor vê-se o piso cinzento betonado, molhado da chuva mas em bom estado de conservação. Como pano de fundo vê-se uma parte da catedral de Saint Paul.

LONDRES é uma das cidades europeias de referência ao nível das condições de acessibilidade pedonal que oferece.

A maioria dos seus troços pedonais, quer das zonas históricas como das habitacionais, são regra geral largos, de betão bem aplanado e em óptimo estado de conservação, e têm o mobiliário urbano devidamente ordenado, criando-se assim uma via contínua, confortável e sem constrangimentos de locomoção para os peões.

Foto que mostra treze peões a atravessar a London Bridge (Ponte de Londres), em direcção ao centro de trabalho da cidade.  Foto retirada do google.

As passagens de peões estão naturalmente niveladas, com uma sinalização táctil bem destacada, e com a presença contínua das “tradicionais” indicações de segurança “look left” (olhe para a esquerda) e “look right” (olhe para a direita). A sinalização sonora nas passageiras também é uma constante.

Fotografia de parte do passeio onde se destaca o piso táctil cizento e a indicação Look Left, ou seja, olhe para a esquerda.

Uma especificidade existente sobretudo nas zonas turísticas da cidade, que é de extrema importância e utilidade, são os frequentes mapas locais instalados nos passeios, que indicam o sítio exacto onde o peão se encontra, bem como toda a área e vias envolventes, destacando os locais turísticos de maior interesse. Um exemplo destes mapas é o evidenciad0 na seguinte foto à esquerda.  

A foto do lado esquerdo mostra um dos mapas locais da cidade situado na margem esquerda do passeio, em betão e perfeitamente aplanado. A foto do lado direito mostra peões a circularem por uma das zonas de londres apelidada de Chinatown, que tem um passeio  empedrado bem aplanado.

Estas condições “de se lhe tirar o chapéu” garantem o conforto e a segurança aos milhões de peões que transitam diariamente pela extensa cidade, independentemente das suas capacidades motoras e de deslocação.

Rua do Ouro (Baixa Lisboeta): Restauração das passagens para peões após as obras recentes

16 Out

No final da tarde de sexta-feira, dia 20 de Setembro, a equipa Lisboa (In)acessível realizou um passeio pela rua do Ouro, depois das recentes obras, para mostrar qual a actual realidade da acessibilidade para as pessoas com mobilidade reduzida, nas passadeiras.

A equipa percorreu a rua filmando as facilidades e as dificuldades encontradas, como pode constatar no vídeo abaixo.

 

Grande Avenida de Lazer e Comércio

22 Abr

Av. Duque D´Avila – Um exemplo acessível a seguir

 

Av Duque de Ávila ANTES e DEPOIS das obras de expansão do metro.

Av. Duque de Ávila ANTES (esquerda) e DEPOIS (direita) das obras de expansão do metro.

Antes das memoráveis obras de expansão da rede metropolitana de Lisboa, a Avenida Duque d´Avila era extremamente condicionada pela intensa circulação automóvel. Ao nível das acessibilidades, esta situação aliada às barreiras físicas aí existentes, como as passagens de peões com desníveis acentuados e os carros estacionados abusivamente no passeio, originavam verdadeiros entraves à livre circulação dos cidadãos com mobilidade reduzida (e não só).

Após decorridos 7 longos anos de obras (como se justifica este largo tempo despendido?!), esta avenida transformou-se numa via de Lazer e Comércio por excelência e…

…um exemplo de acessibilidade a seguir!

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Porquê um exemplo a seguir?

Esta grande avenida, que está localizada nas proximidades do Saldanha e que é perpendicular à Av. da República (dois locais de grande afluência de tráfego humano e automóvel!), é constituída por diversos cruzamentos onde as passagens para peões são todas niveladas, ou seja, não têm os famosos desníveis de 2 cm que tão “nossos amigos são” e que só prejudicam as pessoas com mobilidade reduzida.

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Para além do nivelamento na passagem para peões, o passeio da avenida é constituído por dois tipos de calçada que diferenciam a passagem para peões do passeio (em substituição do piso táctil), com o intuito de permitir e facilitar a deslocação dos peões com dificuldades visuais. Outra adaptação importante que está nesta via contemplada é a existência de semáforos sonoros que permitem uma travessia segura aos cidadãos com deficiência visual.

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Porque é esta uma avenida privilegiada de lazer e comércio?

A avenida é atravessada em toda a sua extensão por uma ciclovia (que percorre os jardins do Arco do Cego e da Gulbenkian), onde se pode andar de bicicleta, patins ou skate como forma de lazer, ou simplesmente onde os utilizadores de cadeiras de rodas ou carrinhos de bebés podem circular “acessivelmente”. Existem ainda por toda a avenida diversas esplanadas, quiosques e bancos de madeira, convidativos a aproveitar o sol e a paisagem circundante.

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Venha caminhar, pedalar e/ou desfrutar da acessibilidade que a Avenida Duque d´Avila proporciona a todos os cidadãos com ou sem mobilidade reduzida!

 Reflexão:

Como é exposto no artigo, com as obras de requalificação do Metropolitano de Lisboa foi possível reconstruir uma nova avenida acessível para todos, que satisfaz as normas de acessibilidade previstas na Lei e que permite a mobilidade com liberdade, conforto, segurança (e logo sem medos!) a todos os cidadãos, principalmente àqueles com mobilidade reduzida (permanente ou temporária), aos idosos e aos carrinhos de bebé.

Porque será então que as mais recentes construções e reconstruções não têm em consideração as directrizes de acessibilidade previstas no Decreto-lei nº 163/2006?

 

A Acessibilidade é possível e é “COOL”!

23ª Meia Maratona de Lisboa… On the rocks

30 Mar

Realizou-se no passado domingo, 24 de Março, mais uma edição da emblemática prova de atletismo que, uma vez por ano, permite a travessia da Ponte 25 de Abril a largos milhares de participantes.

Inserida na festa popular, realiza-se uma prova destinada a participantes em cadeiras de rodas. A organização, em harmonia com o patrocinador, tem tentado trazer a Lisboa alguns dos melhores valores mundiais nesta disciplina.

Sabendo à partida tratar-se de um percurso rápido e portanto, propício à obtenção de bons tempos, várias têm sido as tentativas para se estabelecerem novos máximos na prova lisboeta. Este ano não foi excepção havendo mesmo por parte de um dos atletas de topo uma declaração nesse sentido. Ia tentar estabelecer um novo recorde mundial.

Hélder Mestre, um dos autores deste blogue, participante na prova, acompanhado pelas melhores atletas portuguesas da distância, Sara Moreira e Dulce Félix.

Hélder Mestre, um dos autores deste blogue, participante na prova, acompanhado pelas actuais melhores atletas portuguesas da distância, Sara Moreira e Dulce Félix.

 

Na sexta-feira foi emitido um comunicado onde era anunciado uma “ligeiríssima” alteração do traçado na Avenida da Ribeira das Naus (entre o Cais do Sodré e o Terreiro do Paço).

Os atletas iriam passar pelo novo traçado da via, mais junto ao Tejo, numa extensão de 230 metros. Esta via seria inaugurada no sábado às 12 horas.

O que a organização não esperava foi a chuva intensa que caiu nos últimos dias e que, conjuntamente com os milhares de carros que atravessaram o novo traçado, criaram verdadeiras crateras no recente inaugurado troço.

Avenida Ribeira das Naus

Avenida Ribeira das Naus

Uma rápida avaliação deu como viável a sua passagem pelos atletas “bípedes”.

Na prova de cadeira de rodas provocou, no entanto, legítimas e fundadas preocupações.

O material de que estas são feitas, apesar de extremamente caras, não as torna mais estáveis, bem pelo contrário. As irregularidades que se adivinhavam carregaram o semblante de todos os participantes.

As tentativas efectuadas junto da organização, no sentido de se encontrar uma solução alternativa não tiveram acolhimento positivo, nem mesmo a proposta no sentido de se utilizar o troço antigo.

Ficou o sentimento geral de que a única maneira de evitar males maiores seria fazer a travessia do troço a uma velocidade muito moderada.

Desta forma preservava-se a integridade de todos os participantes. Claro que qualquer pretensão a melhores tempos mundiais também iria por água abaixo.

Na manhã da prova a situação manteve-se na mesma, embora tenha sido colocada alguma gravilha nas crateras mais profundas.

Durante a prova todos os atletas efectuaram as duas passagens sem qualquer problema. Os tempos finais reflectiram, no entanto, o cuidado posto na travessia do troço problemático.

Esta situação teria sido evitada se a inauguração do novo troço não tivesse ocorrido tão em “cima da hora” e se tivesse havido por parte dos responsáveis um acompanhamento do estado do piso, com uma equipa de intervenção em caso de necessidade.

No entanto, apesar destes constrangimentos que teriam sido perfeitamente evitáveis se tivesse havido um planeamento atempado que contemplasse soluções alternativas, a prova lisboeta não deixa de ser a «mais importante meia maratona do mundo», como afirmou o presidente da AIMS – Association of International Marathons and Distance Races, Paco Borao.

Aconselhamos a ler o post editado há quatro dias atrás pelo blogue “Cidadania Lx” sobre (precisamente!) o pavimento da nova Avenida da Ribeira das Naus que abordámos neste post: http://cidadanialx.blogspot.pt/2013/03/pavimento-da-nova-avenida-da-ribeira.html.

PASSEIO PARA OS CARROS e ESTRADA PARA OS PEÕES? (…)

29 Mar

A Rua Afonso Lopes Vieira é um dos muitos exemplos escandalosos de ruas lisboetas, cujos passeios se encontram invadidos por inúmeros CARROS ESTACIONADOS INDEVIDA e ABUSIVAMENTE, ocupando quase a TOTALIDADE da VIA PEDONAL.

Sendo esta uma rua essencialmente residencial, como serve de importante acesso a uma das mais frequentadas avenidas da cidade, a Avenida da Igreja, e ao Campo Grande (freguesia a que pertence), o tráfego rodoviário aí existente é bastante assinalável.

Assim, a circulação livre e pacífica dos moradores e demais peões é GRAVEMENTE PENALIZADA e em alguns casos mesmo IMPOSSIBILITADA pela sistemática ocupação da quase totalidade de um dos lados do passeio por carros estacionados INDEVIDA e ABUSIVAMENTE.

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Na sua maioria estes carros pertencem a trabalhadores da zona envolvente, que encontrando aí a possibilidade de estacionar gratuitamente (sem pagar parquímetro), o fazem de forma irresponsável, repetida, e sem pensar ou suspeitar das suas consequências.

Os PEÕES não tendo a possibilidade de transitar pelos passeios, são OBRIGADOS A CIRCULAR PELA ESTRADA SIMULTANEAMENTE COM OS CARROS, que aí atravessam frequentemente a alta velocidade, expondo-se ao perigo evidente de serem ATROPELADOS ou sofrerem outras consequências nefastas.

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Esta situação altamente prejudicial para os peões é APENAS FISCALIZADA UMAS DUAS VEZES POR MÊS pela esquadra da PSP (que está sediada na rua!!!), e que se vê obrigada SOMENTE nesses escassos dias, a multar e a bloquear os ditos carros.

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Não podemos deixar de assinalar como acérrimos defensores da acessibilidade plena, as DEMAIS BARREIRAS ARQUITECTÓNICAS detectadas na rua:

*A existência recorrente de escadas com degraus altos a anteceder a entrada nas habitações;

*A falta de elevadores ou plataformas elevatórias, como alternativa aos lances de escadas existentes para o acesso aos andares no interior das habitações;

*A existência de inúmeros canteiros e sinais “mal plantados” em pleno passeio;

*Os passeios desnivelados e em degradado estado de conservação.

 

 

 

 

A Tourada do Campo Pequeno

3 Mar

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A Avenida da República devido à sua centralidade e à sua enorme afluência é uma das principais artérias da cidade. Ladeada numa das extremidades pela famosa e muito frequentada Rotunda de Entrecampos, atravessa o Campo Pequeno, onde concentra muita da sua actividade e, culmina no Saldanha. É uma zona laboral por excelência e de importância turística assinalável, sendo percorrida diariamente por milhares de pessoas.

Atendendo a estas características, era espectável que a avenida estivesse melhor preparada no que às acessibilidades diz respeito.

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Um dos cenários mais incompreensíveis e frequentemente verificados encontra-se ao nível do atravessamento de peões nas passadeiras. Apesar de a avenida possuir passadeiras rebaixadas em muitas zonas, estas coexistem com os famosos e habituais desníveis de 2 cm, ou seja, numa das extremidades o passeio encontra-se rebaixado e, na outra, tal não acontece.

Esta situação dificulta, e muito, a vida de pessoas com mobilidade reduzida ou condicionada, quer sejam indivíduos que se deslocam autónoma ou independentemente em cadeiras de rodas, pessoas com outras dificuldades de locomoção transitórias ou permanentes, pessoas com dificuldades sensoriais (deficiência visual ou auditiva por exemplo), idosos, grávidas, acompanhantes de crianças de colo ou aqueles que transportam carros de bebés. Muitas vezes estas pessoas são obrigadas a transitar pela berma da estrada, expondo-se ao perigo que os carros constituem.

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Uma outra situação concreta ocorre na passadeira que dá acesso ao Centro Comercial do Campo Pequeno. É uma zona que sofreu obras recentemente com o objectivo de restaurar toda a zona envolvente da Praça de Touros e onde, ainda assim, persistem falhas ao nível das acessibilidades. A passadeira tem uma enorme inclinação, constituindo um convite a grandes quedas, com maior relevância para aqueles que possuem mobilidade reduzida ou condicionada. Os semáforos não têm sinais sonoros, e a passadeira não é táctil, impossibilitando o atravessamento em segurança de indivíduos com limitações visuais.

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Entretanto, também existem bons exemplos a seguir. Na Rua António Serpa, perpendicular à Av. da República, a passadeira não tem qualquer desnível, sendo um luxo atravessá-la para quem tem mobilidade reduzida. Infelizmente, não contempla os sinais sonoros e a passadeira táctil.

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A partir destes exemplos (e de outros que havemos de expor em breve!) pode concluir-se que é muito raro encontrar um troço da cidade completamente acessível, advindo a seguinte e pertinente questão:

Por que razão em pleno século XXI quando são projectados e construídos de raíz espaços públicos, equipamentos colectivos, edifícios públicos ou edifícios habitacionais, as normas de acessibilidade previstas na lei através do Decreto_Lei nº163/2006, de 8 de Agosto, não são respeitadas e frequentemente apenas parcialmente aplicadas?!?

Não beneficiariam todas as pessoas, de qualquer idade e situação, nomeadamente as com mobilidade reduzida, da aplicação das normas de acessibilidade, garantia de um usufruto pleno, confortável, autónomo e seguro de todos os equipamentos, espaços e serviços?

 (…)

O Projecto Lisboa Acessível, proposto ao Orçamento Participativo 2012 da CML, que consiste na eliminação das barreiras arquitectónicas no troço entre Entrecampos e o Marquês de Pombal, foi um dos vencedores contemplados. Esperemos que este projecto seja breve e eficazmente implementado para que esta grande avenida se transforme num exemplo de acessibilidade para todos.

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